08/12/2025
Em pleno século XXI, a saúde mental ainda recebe um tratamento raso de quem decide o destino de pessoas sem formação na área. Transtornos mentais não são questão de opinião, achismo ou impressão. São condições clínicas. Interpretar sofrimento humano com base em senso comum é um erro técnico e também um erro ético.
Freud já mostrava que o sofrimento é estrutural. Kraepelin defendia rigor no diagnóstico. Beck explicou como pensamentos distorcidos moldam o adoecimento. Frankl apontou o vazio de sentido como marca do nosso tempo. Ignorar esse conhecimento gera o pior tipo de negligência. Uma negligência que atinge vidas.
O cenário f**a ainda mais grave quando instituições com poder formal decidem questões delicadas sem considerar a complexidade do psiquismo humano. Não é sobre desconhecer a lei. É sobre desconhecer gente. Muitos dominam códigos. Poucos entendem trauma, dinâmica familiar ou os efeitos que uma decisão mal embasada causa em quem já está fragilizado.
Isso não é uma crítica generalizada. Há profissionais sérios e comprometidos. Mas acertos isolados não eliminam o impacto devastador de erros que nunca poderiam acontecer. Quando decisões equivocadas desestruturam famílias e aprofundam dores, a pergunta se impõe: justiça para quem?
O que mais machuca é ver o sofrimento virar motivo para desqualif**ação. Pessoas feridas, ao pedir revisão ou escuta, são rotuladas e silenciadas. A dor passa a ser usada como prova de incapacidade em vez de evidência de violência institucional.
Casos recentes já mostraram o custo desse tipo de falha. O caso Bernardo Boldrini, em Três Passos, escancarou o perigo de sistemas que ignoram alertas, subjetividade e urgência de proteger quem não consegue se defender. E esse preço continua sendo pago, todos os dias, por famílias que não podem contar suas histórias porque proteger suas crianças é prioridade. O silêncio não vem da falta de verdade. Vem do medo de retaliações e perseguições que calam vozes e aumentam feridas.
Ignorar a saúde mental hoje não é desconhecimento. É escolha.
E quem lida com seres humanos precisa, no mínimo, compreender a profundidade da mente humana