02/02/2026
Fui realizar um desejo de infância, ver Ópera do Malandro, de Chico Buarque, com músicas que cantei a infancia toda sem nem saber as críticas sociais severas que trazia.
Essa montagem é revisitada por que tem a ousadia de associar elementos dos personagens arquetípicos da umbanda como Zé Pilintra/Exu e Maria Padilha e Pombas- Giras.
O Trickster é o malandro sedutor que desestabiliza a ordem, ri e quebra as regras, expõe a hipocrisia e revela a sombra coletiva da sociedade enquanto a figura icônica de Geni (momento épico com !) e as mulheres do cabaré denunciam a violência, o abuso, a exploração dos corpos femininos, no arquétipo de Maria Padilha.
Os corpos trans em cena surgem como reparação simbólica revelando o que é ao mesmo tempo excluído, desejado e punido.
Não tem como não observar as questões sistêmicas também da obra. Sendo filha de quem é - Fernandes Duran e Vitória Regia, Teresinha não teria maneira de ser mais fiel ao sistema familiar se não se casando com um malandro tão safo como seu pai dando a reviravolta estratégica para tentar "salvar" todo mundo!
Os arranjos musicais f**aram muito interessantes, com várias liberdades criativas!
Momento que me marcou foi cantando "Uma canção desnaturada" para a filha Teresinha e cantando Doze Anos junto com o personagem do delegado Chaves/Tigrão.
Desejo realizado! A arte cura! Viva a cultura brasileira! 🙌🏼 🎭 🎶