30/11/2025
Há comentários que não são “comentários”. São pequenos espelhos do país. Hoje, uma seguidora - Gisela Deschamps - deixou um desses.
Ela propôs a única “pena pedagógica” capaz de fazer sentido para quem transformou o Brasil num laboratório de crueldades baratas: colocar Bolsonaro para ouvir, de hora em hora, as próprias frases. Não precisa tortura. Basta um alto-falante. Quinze minutos. O suficiente para o sujeito sentir o gosto do que espalhou.
E a lista dela é um soco na memória coletiva:
“Não sou coveiro.”
“Deixa de mimimi.”
“Não seja maricas.”
“É só uma gripezinha.”
“Eu fecharia o Congresso na hora.”
“Sou a favor da tortura.”
“Trabalho infantil não prejudica em nada.”
“O erro da ditadura foi torturar e não matar.”
“Se morrer algum inocente, tudo bem.”
“Vamos fuzilar a petralhada.”
“O indígena devia comer capim.”
“Coitadismo: negro, mulher, gay, nordestino, piauiense.”
E por aí vai - porque vai muito longe. Tão longe que a gente até esquece que foi real. Que foi dito. Repetido. Aplaudido. Naturalizado.
O Brasil passou cinco anos ouvindo isso sem descanso.
A diferença é que, na gente, doeu. Na gente, marcou. Na gente, ficou o estrago.
E o mais poderoso do comentário da Gisela não é a lista. É a conclusão: ele não merece anistia, compaixão nem descanso porque nunca demonstrou um único gesto de humanidade para quem não fosse da própria família.
Não é vingança. É memória. É civilização se defendendo.
E é isso que assusta tanto.
Porque quando o país lembra, o país acorda. E quando o país acorda, não tem mais espaço para mito - só para responsabilidade.
O resto é justiça.