20/04/2026
*Repintar a parede*
Outro dia, na aula de francês, algo aparentemente óbvio me mobilizou demais: não se pinta uma parede já pintada, se repinta.
Pois bem, coisas da língua. Diferente do português brasileiro, no qual comumente dizemos que vamos pintar a parede de uma cor diferente, no francês se usa REpintar.
Desde a defesa da tese tenho estado às voltas com uma REforma no consultório. Tenho REpensando a mobília, os objetos e também as cores das paredes por conta da TRANSformação que vem ocorrendo por aqui nos últimos 10 anos.
Minha clínica vem se tornando cada vez mais um espaço que acolhe aqueles que de algum modo apresentam sofrimento pelo seu modo de estar na linguagem – que pode se expressar, por exemplo, num atraso de fala, nas palavras que não se organizam pra construir uma narrativa ou na dificuldade de lidar com as surpresas e imprevistos da língua no encontro com outro falante.
Aos poucos fui modif**ando o ambiente, instigada a partir de novos rumos teórico-clínicos e também buscando acolher melhor as necessidades daqueles que me procuravam.
O fato é que o REpintar da aula de francês me fez ver que é isso mesmo: não se pinta, se repinta. A cada nova mão de tinta que é dada a cor aparentemente muda, mas no/o fundo sempre guarda referências da anterior. Uma construção que não cessa de acontecer.
Portanto, vamos mudar um pouquinho a cara do espaço, minha clínica se ampliou no sentido de receber agora também gente crescida (jovens e adultos), mas a mudança vem sendo estruturada com muito cuidado, buscando refletir um novo momento profissional.
Até o próximo tijolo!