19/10/2022
CARTA ABERTA
Não se cala um Gigante assim. Nós, produtores de eventos, empresários, artistas e fornecedores, da cultura e do turismo de Minas Gerais, estamos surpresos e indignados com as notícias veiculadas pela imprensa acerca de uma Ação Civil Pública, movida pelo MP, que pede a proibição de eventos no estádio do Mineirão.
Num momento de retomada do setor, após a pandemia de Covid-19, a atitude intempestiva de silenciar o maior palco de shows do Estado é um ato inadmissível e de efeitos incalculáveis para as artes, para a economia e para o turismo mineiro. Os eventos promovidos pelo Mineirão movimentam milhões na economia e criam milhares de empregos no ano.
E aqui, faz-se, de antemão, a ressalva de que a comunidade do entorno do estádio deve ser sim acolhida nos seus direitos perante à lei para não ser perturbada com ruídos além dos limites estabelecidos pela norma.
Estranha-se, no entanto, que os caminhos do diálogo sejam colocados de lado por uma atitude que, antes mesmo de um parecer da Justiça, já traz prejuízos comerciais em toda a cadeia produtiva.
E se já não bastasse, é desrespeitoso e desumano colocar em xeque – apenas para ficar em um exemplo – o último show da carreira do cantor e compositor Milton Nascimento, marcado para o dia 13 de novembro.
Esta carta é um manifesto pelo Mineirão mas, essencialmente, pela cidade de Belo Horizonte.
O Mineirão não é meu, não é seu. O Mineirão é nosso. Ele é patrimônio do Estado de MG, hoje, administrado pela iniciativa privada. Palco de craques do futebol e, cada vez mais, de artistas da música. Tornou-se multiuso e eclético, com espaços para diferentes paixões.
Faz parte da rota do entretenimento de Minas Gerais. Que emociona, que diverte, que emprega milhares de pessoas, direta e indiretamente. O Mineirão é um instrumento de cultura belo-horizontina e uma roda gigante da economia mineira, junto com outros equipamentos. Fez e faz acontecer. Realiza sonhos. Promove espetáculos. Pulsa na veia de quem o desfruta. É parte da minha, da sua, da nossa vida. Tem história e merece respeito. Queremos diálogo. O pleito de proibir é radical. Precisamos construir pontes e não fechar portas.