14/11/2022
QUEM É O PACIENTE QUE ATENDO NO CONSULTÓRIO?
O paciente que atendo no consultório, de maneira geral, é aquela pessoa que a muito vem se sabotando, procrastinando sua necessidade e desejo de encontrar ajuda na resolução de seus conflitos. É aquela pessoa que chega muitas vezes carregada de preconceitos relacionados à nossa profissão, não por de fato acreditar, mas por desconhecer e se envergonhar de não entender como a psicologia pode ajudar. O paciente que atendo é aquele que vai em busca de respostas, que procura colo, que precisa de acolhimento por não saber muitas vezes nem por onde começar. É aquele que pede ajuda silenciosamente com a boca, mas que grita com os olhos marejados de lágrimas e sofrimento. É aquele que diz não saber o que falar na sessão, não porque não tem o que falar, mas porque está engasgado e sufocado com o tanto que tem a falar. O paciente que atendo é aquele que se envergonha de suas falas e atitudes, mas humildemente reconhece suas falhas e a necessidade de mudança. O paciente que atendo, muitas vezes só espera o meu bom dia.... minha fala para ele, naquele momento, é desnecessária, porque o que ele precisa mesmo é falar, falar e falar. O paciente que atendo chega desprovido de qualquer vaidade, pois reconhecer que as coisas não estão bem, já é um pressuposto de humildade e resignação. O paciente que atendo, muitas vezes, precisa saber que eu também erro, que tenho minhas questões, minhas dificuldades e meus medos.... e que não há nada que nos difere enquanto seres humanos, a não ser a coragem de enfrentamento de cada um. O paciente que atento, muitas vezes tem medo de voltar pra casa, pois o lar, pressuposto de aconchego e calor, muitas vezes é o lugar o do medo, do desespero e da solidão. O paciente que atendo, em muitos casos, depende que eu levante de minha cadeira e mostre-o como respirar, ensine-o técnicas de relaxar e o convença-o da importância de desacelerar. O paciente que eu atendo só que chegar e ter a certeza que ali eu estarei para ele, com minha atenção e meu foco direcionados integralmente à ele. Isso para nós é um dever e obrigação. Para ele, uma forma de receber atenção e carinho!