28/02/2026
No Carnaval eu saí de maiô!
Poderia parecer só uma brincadeira... E de certo modo, foi.
Mas por dentro, algo muito maior se movia.
Não era sobre o corpo como forma.
Era sobre o corpo como TERRITÓRIO.
MEU CORPO TERRITÓRIO!
Por muito tempo aprendemos a olhar para ele como se fosse um objeto em exposição:
avaliado, medido, autorizado pelo olhar do outro.
E, sem perceber, vamos deixando que esse olhar também determine
os lugares onde podemos existir,
os sonhos que podemos desejar,
os papéis que tentamos sustentar.
Naquele dia, algo se deslocou silenciosamente.
Retorno ao corpo como casa viva
o lugar por onde a vida me atravessa e se apresenta ao mundo.
Assumir esse território é um gesto de LIBERDADE.
Porque quando habitamos o próprio corpo,
também deixamos de caber nas relações
que só se sustentam enquanto nos diminuímos para permanecer.
Sair de maiô foi, para mim, um rito íntimo:
um compromisso silencioso de não viver mais sob o governo do olhar alheio.
Não se trata de amor próprio idealizado.
Mas de algo mais profundo, pertencer a mim mesma!
E talvez seja isso a verdadeira liberdade, quando o corpo deixa de ser um lugar de vigilância
e volta a ser simplesmente o lugar
onde a vida pode, finalmente, ser vivida.
Viva a vida no território corpo!