17/01/2026
Durante a sessão de hipnose, o campo que se abriu não era apenas individual. Era um campo antigo, feminino, tecido por histórias que atravessaram gerações.
À medida que a mente consciente relaxava, imagens, sensações e emoções começaram a emergir como memórias da alma. Mulheres que vieram antes — mães, avós, bisavós — não como figuras distantes, mas como presenças vivas no corpo. Havia cansaço, silêncios engolidos, dores nunca nomeadas, escolhas feitas por sobrevivência e não por desejo.
A hipnose permitiu acessar esse território com segurança e profundidade. Não para reviver o sofrimento, mas para dar voz ao que foi calado. O corpo respondeu, liberando tensões antigas. Emoções contidas encontraram espaço para existir. E, pouco a pouco, o sistema feminino começou a se reorganizar.
Frases de cura foram integradas no nível mais profundo:
“Eu honro o que vocês viveram.”
“Reconheço a força que me trouxe até aqui.”
“Agora sigo adiante com mais leveza.”
O que antes era repetição inconsciente começou a se transformar em escolha consciente. Padrões de culpa, escassez, submissão e autoabandono deram lugar a uma nova informação interna: a permissão para viver com mais presença, prazer e verdade.
Ao final da sessão, não havia apenas alívio. Havia enraizamento. Uma sensação clara de pertencimento ao feminino, sem precisar carregar o peso do passado. A cura não apagou a história — ela a integrou.
Quando uma mulher cura, algo se ajusta para trás e para frente na linhagem. A ancestralidade feminina agradece em silêncio. E a vida, a partir dali, pode seguir um novo curso.