06/04/2026
A Páscoa veio para mim como uma verdadeira ressurreição. Uma ressurreição de voltar a valorizar as coisas mais simples.
Fazia tempo que eu não parava.
Era trabalho, trabalho e trabalho.
E mesmo quando eu parava para descansar, minha mente continuava pensando em tudo o que eu ainda tinha que fazer.
Eu não percebia os sinais.
As dores de cabeça frequentes… “ah, eu tomo um remédio.”
Os enjoos constantes… “ah, eu tomo outro.”
A falta de apetite… “ah, eu como alguma coisa rapidinho.”
Eu não estava escutando o meu corpo.
Eu não estava escutando a minha vida.
Até que, semana passada, dormi por dois dias.
E, apesar de precisar ir ao hospital, foi maravilhoso.
Fazia tanto tempo que eu não dormia assim…
Aquele sono pesado, em que o mundo pode cair e você continua ali.
Descobri duas infecções.
Mas não foi só isso que eu descobri.
Descobri que sentia falta de estar com as pessoas que amo.
Descobri a falta que as memórias estavam fazendo.
Vieram lembranças da casa cheia.
Da comida da minha mãe.
Das brigas com o meu irmão…
Mas também daquele momento antes de dormir, quando a gente falava “boa noite” e acabava pegando no sono com a certeza de que o outro estava ali.
A vida está passando tão depressa…
Quando foi a última vez que você fez algo que realmente criasse memória?
Ver pessoas no corredor do hospital me lembrou de algo forte: não é sobre idade.
A vida não tem idade para ir embora.
E aquilo me trouxe uma dor que ninguém tira,
a gente apenas aprende a lidar com ela todos os dias.
Foi quando eu percebi…
Eu estava deixando a vida ir, mesmo ainda estando aqui.
Talvez essa seja a verdadeira ressurreição da Páscoa.
Ressuscitar o sentir.
Ressuscitar o valor pelas coisas simples.
Ressuscitar o estar presente.
Porque, às vezes, a gente não precisa de uma nova vida…a gente só precisa voltar a viver a que já tem.