19/09/2025
O Encontraram caído na rua.
Um s**o de ossos, tremendo, com o pelo cheio de nós e os olhos vazios. Carros passavam, pessoas passavam… ninguém parou. Ninguém perguntou de onde ele era, a quem pertencia. Ninguém sentiu falta dele.
No abrigo o alimentaram, cuidaram dele, deram-lhe um canto limpo. Mas o olhar não mudou. Continuava quebrado. Continuava olhando para o chão, como se esperasse ser esquecido ali também.
Os dias viravam semanas. Cada vez que abriam uma porta, era a de outro cão. Os mais jovens, os mais bonitos, os que abanavam o rabo sem parar, iam embora nos braços de famílias sorridentes.
Ele ficava. Sempre. Como se não existisse. Invisível atrás das grades.
Quando me ajoelhei diante do canil, nem levantou a cabeça. Não latiu, não se moveu. Era como um animal a quem já tinham arrancado a vontade de viver. Só depois de alguns segundos ergueu os olhos… e lá estava: uma centelha tão pequena que doía olhar. Uma esperança apagada tantas vezes que parecia impossível ainda existir.
E nesse instante eu soube que não podia virar as costas. Porque não se trata de escolher o mais bonito, o mais alegre. Trata-se de salvar aquele que já deixou de acreditar em milagres.
Levei-o dali. O caminho para casa foi silencioso. Sentou-se ao meu lado, encostado à janela, olhando a cidade como se a visse pela última vez. De vez em quando me olhava, com aquela pergunta muda nos olhos: “É verdade… agora sim?”.
Hoje ele dorme na minha casa.
Tem uma cama. Tem um nome: Arlindo! E tem a mim.
E eu prometo: nunca mais vai sentir o que é ser invisível. Nunca mais vai duvidar se merece carinho. Porque já não é “ninguém”.
Agora é da família. ❤️
Peludinhos e Cia