23/12/2025
Minha mãe me deu meu primeiro violão aos 13 anos.
E isso não foi apenas um presente, foi o começo de uma história.
Lembro como se fosse hoje. Eu tinha acabado de passar napraia e vi um rapaz… feio, minha gente, feio mesmo 😅. Mas ao redor dele tinha um monte de meninas cantando, encantadas. Naquele instante, eu pensei: “Meu Deus, talvez a minha única solução para minhas limitações estéticas seja um violão.”
A partir daí, virei um verdadeiro terror doméstico.
De manhã, de tarde e de noite:
— “Mãe, me dá um violão.”
Até que, no Natal dos meus 13 anos, ela cedeu. E aquele violão mudou tudo.
Eu mergulhei de cabeça. Estudava, treinava, insistia. A motivação inicial era até meio ingênua, achava que o violão seria um atalho para o famoso “xaveco”. Mas a dedicação foi tão grande que, em apenas quatro semanas, eu já tocava minha primeira música. E naquele verão dos 13 anos nasceu uma das maiores paixões da minha vida: a música.
Os anos passaram. A vida tomou seus rumos. A música virou hobby, refúgio. Tive bandas, vivi muitos incríveis. Mas, curiosamente, ao longo de todos esses anos, eu nunca tinha tido a oportunidade de tocar ao vivo para minha mãe.
Até que, depois de 23 anos, isso finalmente aconteceu.
Ela me assistiu em um show.
Eu não sou músico profissional, mas amo profundamente a música e sempre tento fazer o melhor no palco. E naquele momento, tive a honra de tocar uma canção para ela. Uma música carregada de memória afetiva.
Lembro de quando a Unimed lançava CDs de música internacional. Ela colocava no carro, e a gente viajava ouvindo aquelas músicas. Lady in Red tocava, e eu guardava aquilo sem saber que um dia faria tanto sentido.
Poder tocar essa música ao vivo e dedicá-la a ela foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida. Subir no palco, tocar, olhar para minha mãe e saber que tudo começou ali, naquele Natal dos meus 13 anos, com um violão simples, dado por amor.
Isso marca o coração.
E eu sempre digo: todo mundo deveria subir num palco pelo menos uma vez na vida. Não importa se é música, teatro, fala, poesia. Porque expressar a sua arte para o outro é uma emoção que não se explica, só se sente.