09/01/2024
Quando eu me enxerguei novamente…
Me lembro que, antes de engravidar, recebia alguns relatos de pacientes sobre a sensação de perda de identidade pós parto. Não imaginava o peso e o significado disso até sentir na pele.
Durante a minha gravidez, mais precisamente até o segundo trimestre, eu me sentia radiante, com um brilho diferente, me sentia linda com aquele barrigão que só crescia. Porém, o final do terceiro trimestre foi punk pra mim. A constante instabilidade emocional causava em mim uma montanha russa de emoções em um só dia… muito estresse, desânimo e baixa autoestima. Fui ranzinza. Bem ranzinza!
O meu filho nasceu e nasceu também uma uma nova mulher, uma mãe. Uma mãe cheia de medos, insegurança, como uma onça a ponto de não deixar as pessoas chegarem perto dele. Meu Deus! O puerpério é intenso demais!
O maternar é um misto de alegria e dor. Alegria por ter em meus braços a maior benção da minha vida. Dor por exigir demais de mim e tentar me igualar num papel de mulher maravilha que da conta de tudo. No maternar, a gente deseja cuidar da nossa cria e viver 100% por eles, é instintivo, a gente se anula muitas vezes sem perceber. Mas pelo bem deles, nós precisamos estar bem também, só que a gente esquece disso.
Deixo aqui o meu relato para servir de apoio para você, que vive o mesmo processo que o meu, e deixo esse registro para que eu me olhe todos os dias no espelho me enxergando com cuidado, orgulho e compaixão 💫🤍