Jairo Stacanelli

Jairo Stacanelli Informações para nos contatar, mapa e direções, formulário para nos contatar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Jairo Stacanelli, Psicoterapeuta, Praça Tiradentes, 75 sala 311, Contagem.

Psicólogo clínico, psicólogo das categorias de base do Cruzeiro Esporte Clube, apresentador do Horizonte Debate pela TV Horizonte, comentarista no Tribuna Livre pela Rádio América.

Hoje, completo mais de sete mil quilômetros com minha bike. Não sei porquê. Se o fiz, desejo muito, e me alimento de vol...
03/05/2026

Hoje, completo mais de sete mil quilômetros com minha bike. Não sei porquê. Se o fiz, desejo muito, e me alimento de volta, e arrasto um tanto de gente que amo comigo. Gosto também de estar sobre aquele selim sozinho, em sete milhares de milhares de metros comigo. Amo meu pedal, para poder amar qualquer livro, casa, Missa, pessoa, como premissa.

Não há direção, em sete quilômetros, não há direção, em nenhum centímetro. A explicação existirá no afeto, do desafio que existe, que me manda, me engaja, me implica. O que é isso que nos puxa, nos traz, nos sacode, se não lhe atribuímos sentido?

Falamos a última pérola do lácio, um rio que corria latim, em terras romanas, e vai sendo falada às praias lisboetas do leste. De Nazaré, do Tejo, da areia, não há mais para outro lugar correr, se não o mar, o Congo, Vitória do Espírito Santo, Minas. Dessa língua, rota, brota, linda, corre um palavra, de mais difícil signif**ado, amor, amar, e todas as suas vicissitudes.

Sete mil quilômetros, sem sair do lugar, sem olhar, que não a lagoa, linda nossa, ora fedida, ora amada. São quase quatrocentos tornos em seu entorno, em seu enterro, em seu renascimento. E o amor, essa palavra difícil, vem me dizer que sete mil quilômetros, quase quatrocentas voltas, são de um amor de mim, para uma manutenção mamute de existência. Ai se não a tivesse.

Mas que movimento mais gótico, trash, egoísta, “amar-se”? Que discurso vazio? Sim, se não for composto por um trilho, limpo, lindo, modesto e cheio, de razão e entendimento de amar o outro. Se não gosto de mim, se não me entendo, em uma tentativa difícil, esdrúxula, calada, longa ou de veneta, não consigo encontrar forma de me render ao outro, desejá-lo, ver-me verme orgulhoso, inchado como um balão, derretido e consciente de um amor constrangido pelo outro. Amor de renovação, de existência.

O sangue dela está em mim, nos meus filhotes, nos meus sobrinhos, literalmente. E trazemos todas as suas desconstruções. Tenho a certeza de sete mil km de bike. Meu mais velho, sua certeza das contas. Meu mais novo, suas figurinhas. E você me questionar a razão de tudo, vó. Até para o que falta razão. E o inexplicável de uma queda.

Somos uma soma, de um tanto de gente. E, te pergunto, sempre por aqui, quem nós somos. Sou uma mistura italiana, firme, ...
22/04/2026

Somos uma soma, de um tanto de gente. E, te pergunto, sempre por aqui, quem nós somos. Sou uma mistura italiana, firme, e árabe, linda. Lembro muito, acho que sim, de ser o mais velho, e descer da gaita, logo em seguida. Kinha veio, para encher a casa de alegria. Minha irmã e eu, frutos do amor de nossos pais, criados simples, donos da autonomia responsável que hoje temos. São Miguel, protetor de mão forte, esteve lá.

Aquilo que não sei, ou que meu pai nem lembra, mãe me conta. Converso com mãe, horas e horas. Quando ela também não conta, do menino-eu de três anos, que já votava no PT, mãe br**ca. E me emociono com Elis, cantando “um filho de cuca legal”, que mãe ouvia. Pai e mãe, pai na praia, mãe aqui, amando Kinha e eu, com disciplina, com firmeza, ambos sonhando, com a vida que temos hoje. Sim, o que somos, não simplesmente o que temos. São Miguel, anjo de guerra, estaria lá conosco.

No meu primeiro velocípede, sumi. Perninhas gordinhas dedilhavam a avenida até o córrego. De bike, me perdia até a Várzea das Flores, ou às trilhas dos Arturos, nunca sozinho. Fui até quase Oliveira, 130 de 150 quilômetros, faltou um pouquinho para ver vó. E me buscaram. E a gente conversava. Miguel, o anjo do céu, me acompanhou nesses percursos todos.

Miguel, o anjo do tio, estava lá comigo, no pedal desse feriado. Miguel que se mistura ao anjo, existência de todos na nossa casa. Sobrinho lindo, inteligente, dono dessa autonomia que falei, ensinada pra gente.

Hoje, quero estar com quem amo, e trocar esse afeto. E doar-me. Respeitar, renovar, percorrer, construir. Que alegria trazer Miguel, meu sobrinho mais velho para o pedal, trazer meu cunhado, para contar-lhes os mistérios, as surpresas, de cada cantinho, cada península, da minha amada Lagoa da Pampulha. E cativá-los.

Como em um congado de fé, suas curvas, trilhas, a lagoa, desafiada, por milhares de bicicletas, mostra seu encanto. Na minha alegria, estava a bike, meu sobrinho Miguel, e eu o explicando cada curva. E, se eu puder, conversar com ele sobre a vida, numa península de lagoa, desejo que ele se encontre, seu amor, sua voz, seu sentido. Di, Pipe, Bebé e TicoTico, frutos amados de tudo isso!

“Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” Essa é uma das ...
19/04/2026

“Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” Essa é uma das frases mais lindas, da Liturgia. O coração arder, de fé, de força, beleza, quando ouvimos Aquilo lhe é, verdadeiro, sua Palavra, Palavra de Deus. E assim está, quando Cristo, Ressuscitado da morte de Cruz, se desvela, em vários momentos.

Leio, e leio muito. Tentei ler, mas é muito mais difícil, ler aos filhotes, antes d’eles dormirem. Dormia fazendo carinho nas costinhas de Davi, ainda pequeno. Pipe gostava de dormir conosco. Mas era necessário que fossem-lhes tocados o “ardor do coração”, descrito nos Evangelhos de Cristo.

Para uma população analfabeta, na Idade Média, no Renascimento, nos tempos de agora, grandes artistas, célebres, fizeram desse ardor, pois não viram a Cena, sua inspiração. Era preciso pintar, usar a mais bela luz, em seus quadros. Velásquez, Caravaggio e Rembrandt, três mestres dessas primazias, esconder e mostrar o claro. Tentaram puxar, mas não conseguiram nem quinquilharia, nenhuma noção, da beleza do texto.

Mostrei a Davi, meu mais velho, na National Gallery de Londres, a beleza de Caravaggio. No Louvre, mostrei a Davi, os mistérios dos Emaús, de Rembrandt. Ao Pipe, na Espanha, mostrei-lhe a fé nos olhos gotejantes do Cristo desenhado, de Velásquez.

Ir lá, em todos esses museus e igrejas, para fazer com que tocassem os olhos, a partir de meu apontar. E tentar. Hoje, penso, sem dúvida, que permitir que seus corações ardam dessa fé, posso abrir-lhes à entrada, não o travesso do vestíbulo. A beleza imensa, o torpor, o impacto que sinto, eles verão no meus olhos de emoção, no inverno da minha crença, em meu descontentamento, desconhecimento, desalento, que volto à necessidade de um coração em coroação desse fraternal cristão acolhimento.

Amar é ir, vir, voltar, renovar. Se não há respeito não há amor, muito menos a possibilidade de perdão. Mas é preciso passar, perdoar. Ou é o cancro desse mal que f**a. O amor que arde, aprendido na Liturgia de hoje, não dissipa. Emaús é lição. Amo com intensidade o amor que me toco. E devo renovar, no percurso, doando o que me entregaram, e me era injusto, in vivido.

Quando falo pros filhotes, da quantidade de notas de dinheiro que tínhamos que carregar, notas velhas, tudo soa como uma...
18/04/2026

Quando falo pros filhotes, da quantidade de notas de dinheiro que tínhamos que carregar, notas velhas, tudo soa como uma nojenta fantasia. Não se sabia quanto seria, a passagem do ônibus, o aumento do arroz. E a gente seguia. A Ditadura tinha acabado e seu resultado foi uma continuidade de pobreza, o privilégio de poucos, as regalias governamentais aos idiotas, as risadas, e um cheiro de corpos, mortos ou torturados, que todos sabiam, mesmo sem saber o que fazer. E cantávamos Elis, Vandré, e o samba que sempre fomos.

Confiscaram o pouco que se tinha. Fizeram uma eleição presidencial, primeiro fechada, pois nos achávamos b***os, depois de aberta. Um bonitão do nordeste, gostado de jetski como um outro, falastrão, venceu. Dias da posse, como isso pode, meteu a mão na poupança de todos. Contabilidade e economia são muito mais ciências sociais do que matemática. Muita gente pulou de janelas, no centro. E cantávamos a Legião, Cazuza, que deixou de compor rock, para cantar o amor, em sambas lindos.

Até que o dinheiro, visto pouco hoje, só o rachado, veio do vice do falastrão do jetski. Já pensou se o dinheiro se chamasse “o Povo”? Quantos “Povos” é o quilo da batata? Escolheram o nome “Real”. A inflação estabilizou, mas crescemos pouco. Quem era pobre continuava pobre, quem era rico continuava rico. E a gente br**cava na rua, cantando as marchas de nosso carnaval.

Desenvolvimento veio depois. Uma nova classe, média baixa, tinha acesso ao crédito, não mais ao fio do bigode do dólar, do agiota, do banco açougueiro de gente. Era possível comprar uma moto, dando parte, e devendo uma beirada. Era possível comprar o primeiro carro. Viajar para fora, estudar fora. Pobre, preto, comendo pão com manteiga no shopping, no cinema, e viajando para Porto Seguro. Até que, o filho deles, aquele aluno, se tornasse doutor na federal, e fazendo uma ponta com universidade lá fora.

Porém, contudo, entretanto, condessas que me leem, “de onde já se viu isso?” Cortaram a cabeça da presidenta, prenderam o presidente que trouxe tudo isso. Drácula veio, um novo jetski também, do bolso de nabo furado, com o rabo amarrado.

Sofrido ficou o povo - de novo? - agora enganado

Alimentação e educação, paz e meio ambiente, água e saúde, trabalho e divertimento. Ponto. Esses são os quatro alvos de ...
17/04/2026

Alimentação e educação, paz e meio ambiente, água e saúde, trabalho e divertimento. Ponto. Esses são os quatro alvos de um mundo de sossego.

Alimentar barrigas famintas, nos Estados Unidos, e nos cantos mais pobres da África. Educar mentes sem letras, sem números, sem críticas, nos Estados Unidos, e aqui, nas regiões mais ricas, perto de nós, ensinar-lhes respeito, comunidade, fraternidade, para que tenhamos os próximos itens. Paz, para o povo honesto dos Estados Unidos, que creem em uma nação que é livre, não uma nação que espanca, desalenta, que é desigual ao extremo, lacaia de um líder nazista, país de guerra. Meio ambiente, que nos dá o que é mais fundamental, ar limpo, água limpa, energia renovável, menos calor, menos gasto com epidemias, mais investimentos em sustentabilidade.

Sossego, quando essas quatro palavras acontecerem. Felicidade que vem quando as crianças, alimentadas, educadas, respeitosas, responsáveis, que curtem o regato d’água perto de casa, sem poluição, críticas, construtivas, livres. Crianças americanas, bolivianas, venezuelanas, senegalesas, angolanas, chinesas, tailandesas, norte coreanas, iranianas e brasileiras, todas br**cando entre si. Claro, chamarão um de gordo, outra de caolha, mas não de preto b***o, chinês porco, americana linda, única. Crianças que não brigarão entre si, por serem diferentes, por terem peles e bolsos diferentes. Alimentação, educação, paz e meio ambiente.

Volto da Espanha, apaixonado pelo país, por sua língua. Gozo sim o rei queixudo, que falou com doze anos e foi esculpido como um cabra forte e bonitão, montado num alazão, de bronze, na praça. Idealizamos o status, sempre. Estúpidos que somos. O ideal nunca existiu presente! A princesa envenenada, a moça que estava na boate, nenhum príncipe que se diz bonitão, ou pensa, tem o direito de tocá-la, nem na história da carochinha, nem na vida real. O status esconde quem somos, ou mostra nossa pequenez.

Um celular chique, o linho da camisa que todos usam, a sandália de marca? Acorde! Viver é estar com o outro! Conhecê-lo, conversar com ele, com ela! Esse é o ápice de qualquer viagem, da vida, da escola, ou de um consultório de terapia.

Hoje, Dia Mundial da Arte!Nasci em Belo Horizonte. E me tornei contagense no minuto seguinte. Cidade das abóboras, da co...
16/04/2026

Hoje, Dia Mundial da Arte!

Nasci em Belo Horizonte. E me tornei contagense no minuto seguinte. Cidade das abóboras, da contagem dos bois, no passado, dos dias, do pó de sua indústria, tempos atrás, de sua tecnologia recente. Cidade de gente simples, que se sustenta, se alicerça no trabalho, e que tece relações sociais como em Oliveira.

Ouvi, de estúpidos, o dito que em Contagem não tinha nada de belo. Se você concorda, desculpas. O belo virá do trabalho! O belo se transformará do trabalho! O belo se construirá entre as pessoas que o fazem!

A Casa de Cacos no bairro Bernardo Monteiro, vem do trabalho de um homem, abandonado, que cata pedaços de cerâmica. E ergue uma portentosa morada, cheia de risadas, de vida. Saia da casa, junte seus cacos, e passe pelo Parque Gentil Diniz, veja sua casinha, um pedaço de rincão, de sítio, no centro da cidade. Faça sua ceia, seu jantar, na Casa Gusto, um bistrô teteia, duas ruas acima. E termine seu passeio, na melhor sorveteria da região metropolitana - sim, nada de Ah!Bom ou Bacio de qualquer coisa - passe na Hot Sunday, e tome uma bolada de manga ubá, a mais deliciosa de todas.

Surpreenda-se o dia que for a Barcelona, e verá, em Gaudí, um dos arquitetos artistas, mais importantes do mundo, riscos de seu trabalho na Casa de Cacos. Depois de ir à Batlo, à Pedreira, de Gaudí, ambas no centro da capital catalã, lembre-se. O bafo do construtor da Casa de Cacos ressignif**a! O sorvete do meu estimado Alisson vence, de milhar, qualquer churro espanhol, tenha certeza.

Meu pai busca, na Terceira Ponte de Vitória, na Penha capixaba, sua arte, sua fé. Mãe busca, aqui, por perto, a arte da Igrejinha dos Passos, de Oliveira, à Catedral da Sé, de Lisboa. Eu busquei, em mosteiro budista, conhecer e fortalecer, ainda mais a minha fé, na China. Ou levar meus filhotes e sobrinhos, a conhecer o risco chinês, de um artista português, tão perto, na Igrejinha do Ó, em Sabará. Caminhos de vida, esse da arte.

Da arte barceloneta, madrilhena, sabarense, contagense, não me esqueço. Arte liberta. E vem da liberdade. Sem liberdade não se tem arte. Arte traz gosto. E, sem gosto, não tem nem vida, nem arte, muito menos liberdade!

Sou o Sancho dos Quixotes que amo. Dom Quixote De La Mancha, nobre da literatura espanhola, mundial, filho de Cervantes,...
22/03/2026

Sou o Sancho dos Quixotes que amo. Dom Quixote De La Mancha, nobre da literatura espanhola, mundial, filho de Cervantes, dono de um verdadeiro desejo de descobrir trilhas, arroios, saídas, para transformar o mundo, torná-lo mais justo, entendê-lo com todas as suas dificuldades, todas as suas possibilidades, todos os seus caminhos. Quixote está em cada canto da Espanha, e eu, Sancho dos outros, prefiro não estar em lugar nenhum, porém viajar o tempo todo.

Sou o Sancho de minha Dulcinéia, Flávia, dos cantinhos aqui perto, ao romântico bairro do Montmartre de Paris. Sou o Sancho de meu Quixote Davi, meu mais velho, nos rincões bretões, da enseada fria de Cardiff, capital do País de Gales. Ser Sancho de meu mais novo, Felipe, e explorar cada esquina medieval ibérica, cada prédio colorido moderno catalão. E viver, muito, com todos eles.

Não é sobre ir e vir, porque ambos são fundamentais. Voltaremos sempre! Muitas vezes, movimentamos parados. Projetamos, prospectamos, e isso é fundamental! Não de uma margem à outra, mas velejaremos pelo meio do Rio.

Quanto mais liberdade temos, ou conquistamos, mais felicidade temos. Quanto mais disciplina entendemos, mais perto de nossos desejos estamos. Entender isso é um dos ganhos mais interessantes em terapia!

Mas precisamos entender, que em um mundo desigual como o nosso, precisamos de uma revolta consciente. Disciplina deve ser proporcional ao desejo dessa liberdade. Ou seja, meritocracia é lero-lero! A revolução é aula bacana pra meninada, porta aberta da creche, da escola, da universidade pública de qualidade! Pesquisa, saúde, conhecimento, isso é a vida sonhada desse Sancho!

Rebele-se. Encontre-se. Como é bom ensinar as idas e a voltas do metrô de Madrid, ou de Barcelona. Fazer-lhe entender a estação final que define, e curtir o caminho do meio. Tanta gente, tantos rostos diferentes, línguas estranhas, tudo se torna fascinante!

Há cura no movimento! Liberdade e rebeldia são necessárias ao pensamento! Dos pensamentos do Pipe, dos meus, que eu cutuco. Espanha que também é desafiada pela pobreza, como nas cidades brasileiras. Caminhos de um capitalismo de segregar, de segmentos. Exigência de reversão!

Na bala do trem, pra mais de 200 quilômetros por hora, há um azedo. Nas pradarias, extensas, pastagens, sem mata, sem fl...
21/03/2026

Na bala do trem, pra mais de 200 quilômetros por hora, há um azedo. Nas pradarias, extensas, pastagens, sem mata, sem floresta, vejo pequenos castelos, casas de pedra, sedes de sítio, olivais, vinhedos. Dá vontade de pedir, como Milton, ao maquinista, que pare, que reduza, para que possamos ver ou fotografar uma ruína.

Ruína, palavra difícil. Negativa de onde vem, representativa de um lugar, um símbolo, uma marca. Tijolos, pedras, recolocados, que também contam histórias. Penso ser possível reverter, o azedo do trem que é bala, à negação da palavra que rui.

Entre Madrid e Barcelona, há uma Zaragoza, no centro. Ao norte, estão os Pirinéus, a serra alta de montes, que desafiaram Napoleão à conquista da Península Ibérica. Pirinéus que inspiram Saramago a escrever sobre uma “Ilha de Pedra”, belo livro sobre a identidade, de espanhóis e portugueses. Há também Aragon, e a Castela-Mancha, para se chegar à Cataluña, país de Barcelona.

Cresci em um tempo, quando acreditávamos, que o irlandês do norte teria paz, e identidade. Que o catalão teria seu passaporte, seu documento mais importante, como o basco, como o galício, o galês, que não se reconhecem espanhóis, ou ingleses. Era um tempo de se vislumbrar a paz, uma primavera, onde as subjetividades eram muito mais importantes do que o empaçocamento de ideologias, de identidades. Subjetivar, tornar-se sujeito, e não retornar ao fordismo da semelhança profunda. Tornar-se um, em harmonia com o outro, para respeitá-lo, e não à sedução da estética, sem ética.

Corpos e sorrisos plásticos, todos iguais, do coreano, do japonês, da classe média brasileira, forçam a barra de um contexto. Pensamentos também se pasteurizam, sem críticas, sem contextos. Esquecemos de nossa individualidade, ou de nossa indignação. O mais importante é se esconder, nos parecendo com o outro.

Madrid é como a boca do Cronos de Goya, devora. Não eu, pois não ligo se sou diferente, não devo nada. A juventude sim, indeseja, sem se conhecer, uma paçoca. Torna-se igual, se esconde, indisciplina por não fazer, não aparece, não estuda, se nega. Muito me preocupa.

O estúpido vive disso, fomentar conflito. Mas ser, por si, ainda é possível.

Transitar entre o belo do Palácio Real de Madrid e as figuras modernas, impactantes, do Museu de Reina Sofia. Das pintur...
19/03/2026

Transitar entre o belo do Palácio Real de Madrid e as figuras modernas, impactantes, do Museu de Reina Sofia. Das pinturas no teto, de cada cômodo palaciano, aos tapas na cara de loucuras, no museu da rainha de sabedoria.

Como é massa compartilhar meu desprezo pela p***a real, e meu verdadeiro deleite, nas figuras impressionistas, cubistas, do museu. Como é massa conversar com o filhote sobre a loucura da beleza de um quadro, um teto, da face irreal do rei, à esquizofrenia de desenhos muito abstratos, de entendimento difícil.

O que é mais certo? Quem se encaixa, em potência e realidade? Pra mim, nenhum. Meu desprezo é pelo desequilíbrio mental, de saúde física e social, das famílias reais de todo mundo. Casados com primas, casadas com tios, na Espanha, França, Áustria, entre si, Reis e rainhas, seus príncipes, suas princesas, suas cortes, eram horríveis, doentes, de genética frágil, de mobilidade, dificuldades e imunidades. Nas figuras lá dispostas? Nunca foram. Na riqueza esbanjada? Muito menos, conseguida na exploração de mão de obra escrava, na destruição de civilizações naturais ancestrais.

No Museo de Reina Sofia, rainha da sabedoria, Picasso, Dali, Miró, pintam e moldam um mundo, para mim, com muito mais realidade. E que alegria dividir isso com o filhote. Essa dualidade!

Sim que Júpiter simboliza poder. Ou que Júlio César, antigo imperador romano, também o faz. Mas “dê a César o que é de César”. O rei espanhol, queixudão, que só falou com dez anos, que teve imensas crises nervosas, várias mulheres, descontrole do prazer e do sossego, tem quadros de si, em lustres de cristal, salões cafonas, e vida irreal. Com celulares na mão, até hoje, me dá um nojo, o sorriso da mulher, do patrón, que sonham viver aquilo e desconhecem a verdade.

Massa é contornar o pescoço, virar a cabeça, para tentar responder, “o que esse artista quis dizer com isso”? E sair mexido de uma exposição de pinturas disformes!

Ética da estética? A beleza do Palácio Real de Madrid não mostra a destruição real, inca. Harmonização facial de pessoas sem saúde mental? Prefiro a loucura do Reina Sofia, com Dali e Picasso, me mostrando suas loucuras! E meu filhote rindo!

Gaudí viu apenas uma entrada, das muitas que pensou, ainda vivo. A imensidão da Sagrada Família, real, na manjedoura, no...
18/03/2026

Gaudí viu apenas uma entrada, das muitas que pensou, ainda vivo. A imensidão da Sagrada Família, real, na manjedoura, nos encanta irreal, nos questiona. Cristo nos veio simples, com Maria jovem, menina das tâmaras, com José, com os pastores. Na grandeza de um projeto, uma igreja, Cristo menino enche o coração do arquiteto, transborda a fé de uma cidade inteira. A Sagrada Família, de Jesus, José e Maria, de Gaudí, da Espanha, encantam Felipe e eu, em nossa primeira tarde, chuvosa, em Barcelona.

Gaudí, catalão, Niemeyer, brasileiro, tantos outros, deram forma a prédios e sonhos, no século XX. Construíram cidades inteiras, projetos, que foram abraçados por seus concidadãos fiéis, ou por políticos corruptos. Desafios vieram, mas pessoas, apaixonadas por seus projetos, suas belezas, suas potências, deram continuidade. De Brasília a Barcelona, é a mesma paixão que nos toca.

A Sagrada Família, Barcelona, é linda. Em 1991, ainda chovia lá dentro. Seu gigantismo caminhava como metafísica, inconclusiva. Em 1992, com a Olimpíada, apaixonadas, as pessoas abraçaram o projeto, e avançaram em seguimento. Pipe e eu, hoje, entramos no mais alto templo do mundo. Do amor de Gaudí, que nos conquista.

Sagrada, põe números e opostos, todos explicados, tudo lá se completa. Morte e vida, nascente e poente, semanas do ano, toda a esquizofrenia de Gaudí cabe lá. E também o vazio. As cores laterais da tarde, questionarão a crença de qualquer um que lá estiver. E vivo essa fé, com meu filhote, nessas cores.

Luz é Deus, como o sol, em todas as culturas. Luz e sol colorem a Sagrada Família. Luz que ilumina meu filhote. Ver Pipe, meu mais novo, aqui, e feliz, ganha das linhas de Gaudí. Para o arquiteto catalão, balancear a luz e a escuridão é o objetivo. Luz de Cristo, escuridão também, de seu sofrimento por nós, caminhos que se completam. E me entrego ao filhote, que se apaixona por Gaudí, e aumenta sua crença.

São 172,5 metros, da igreja de Gaudí. São 173 metros da montanha de Montjuic, ponto mais alto de Barcelona. “Homens não podem passar o que Deus fez”, disse o arquiteto artista. Mas posso fazer, aqui, a felicidade de meu filho, ser maior do que mim mesmo.

Sempre quando levo quem amo, a qualquer lugar, sinto uma alegria imensa, difícil de descrever. Não sei muita coisa, mas ...
18/03/2026

Sempre quando levo quem amo, a qualquer lugar, sinto uma alegria imensa, difícil de descrever. Não sei muita coisa, mas consigo te contar uma história curta, ou te seduzir em uma reflexão.

Vim para a Europa, pela primeira vez, com vinte. Fui da Itália à Escócia, em linha reta. Estudei, muito, na Inglaterra, e rodei muito por lá. Rezei, com as Irmãs Operárias em Roma, pelos segredos vaticanos. Sem grana, comia pão e geleia na terra do rei, no dia frio e úmido londrino, ou recebia um café delicioso das freirinhas, nas manhãs quentes de Roma. Na bagagem, voltei com conhecimento, e um desejo imenso de voltar.

Voltei com minha mãe, primeiro, para França e Itália. Ainda lembro da emoção de mãe, quando a trouxe até Norte Dame, em realizar um sonho de fé. Estava ali, e me emocionei também. Era para dar-lhe, mãe, um pouquinho do tanto que ganhei, pela primeira vez que aqui estive.

Vim trabalhar com o Cruzeiro. Portugal, Bélgica, Alemanha, e a Holanda, literalmente, todinha. A bola, o mundo, era minha terceira volta. Trabalho, tradução e mais estudo.

Minha alegria, de lua de mel, volto a Portugal, Itália e França. Flávia que amo. Oração por casar, curtir, a delícia de um começo. Conquistá-la, em cantinhos de namorar, no Versailles, fazê-la dormir. Quarta vez, um centro.

Até a hora de vir com minhas razões de viver. Primeiro, Davi, sonho. Rodar em mochilão pela Inglaterra. Da Cardiff galesa, às ruelas de Canterbury, de Londres e Paris, ambas do tamanho de minhas mãos. Ver meu filho descobrir, subir a estação de metrô, chegar ao Big Ben, ou descer o Coração de Jesus e Maria e chegar no Montmartre. Não há felicidade melhor, nenhuma, que a felicidade de Davi.

Felipe veio agora. E vê-lo saindo do metrô de Madrid, para alcançar o Bernabeu do Real. Ou vê-lo caminhar ao Nou, para entrar com ele, para torcer com ele, num jogo do Barcelona. Não há nada mais belo do que ver seu sorriso.

Não troco o pão com geleia barata, de Londres, com vinte. Para vir Europa, mais seis vezes, com mãe nos Pauls de Paris, com Flávia na Gallina Bianca romana, ou Davi no Starbucks de Oxford, com Felipe no Mercado San Miguel de Madrid. O que eles vivem, vale meu maior sentido.

Palavras têm uma marca. Sonho também. Lutar muito, para que o sonho venha. E fazer de tudo para realizar um sonho nosso....
17/03/2026

Palavras têm uma marca. Sonho também. Lutar muito, para que o sonho venha. E fazer de tudo para realizar um sonho nosso. Ver nosso Barça ganhar! Sonho. Palavra. Viver!

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