21/02/2022
Descobri no Ritmo do Coração (nome em inglês ("CODA" - sigla que significa Children of Deaf Adultos) em uma postagem sobre filmes indicados ao Oscar em uma página que sigo chamada e, depois, vi em outra página, da qual não me recordo o nome, que estava disponível na Amazon Prime.
Então, fui assistir sem saber nem o resumo, pensando que seria um filme de amorzinho (que amo!) e me deparei com um roteiro diferente: a história de uma menina cantora que é a única ouvinte numa família de surdos (pai, mãe e irmão mais velho todos surdos).
E, tentar dar o mínimo de spoilers, o filme foi um tapa cheio em minha cara, mostrando a falta de inclusão na sociedade que vivemos, a dificuldade de um surdo-mudo em conduzir coisas simples da sua vida, como a negociação de um produto, expressar sua opinião em público, participar de eventos não adaptados para sua deficiência. Simplesmente, porque os ouvintes não sabem se comunicar em linguagem não oral e não se empenham para tal idem. Além disso, mostra o tamanho da responsabilidade da protagonista, adolescente ainda, já que ela é a intérprete da família em todas as situações, desde as mais simples do dia-a-dia.. porque, mais uma vez, não existe inclusão para o paciente surdo!
Aí vi o quanto preciso (precisamos) evoluir, além de refletir sobre a necessidade do ensino e aprendizado urgente da linguagem de gestos! Ainda mais eu, sendo, otorrinolaringologista, percebi o quanto estou falhando como médica e ser humano!!
Outra coisa que é importante é saber que, nos dias de hoje, toda criança tem direito à Triagem Auditiva Neonatal ainda no primeiro mês de vida, para identificar problemas auditivos em idade precoce e reabilitar essas crianças com mínimo de prejuízo em seu desenvolvimento e convívio social!
F**a, então, a dica de filme e a reflexão!
Dra Osyanne Timóteo
Otorrinolaringologista
CRM PI 5702 | RQE 3870