01/12/2025
A verdade é dura, mas precisa ser dita:
a tragédia desse jovem não começou no zoológico.
Começou no abandono.
Começou quando ele foi o único irmão que não foi adotado.
Quando cresceu sem mãe, sem cuidado, sem base.
Quando o sistema falhou tantas vezes que ele aprendeu, cedo demais, que estava por conta própria no mundo.
É fácil apontar o dedo para o último ato.
Difícil é encarar o caminho que levou até lá.
Winnicott já dizia que “não existe bebê sem cuidador”.
E quando o cuidado não existe, a vida vira sobrevivência.
Quando o vínculo falha, nasce o desamparo.
Quando a dor é ignorada, ela encontra saídas desadaptativas.
Freud chamaria de ego exausto.
Frankl chamaria de vazio existencial.
E nós, da clínica, chamamos de sofrimento que ninguém quis ver.
O país discute cercas, grades e culpas.
Mas ninguém quer discutir abandono, saúde mental, políticas públicas, prevenção, acolhimento e cuidado real.
Cutucando a ferida social:
Enquanto tratar sofrimento psíquico como caso de polícia, tragédias como essa vão continuar acontecendo.
Enquanto ignorarmos crianças que crescem sem cuidado, vamos repetir ciclos de dor.
Enquanto o abandono for normalizado, ninguém estará realmente seguro — nem eles, nem nós.
Este não é um post sobre um erro.
É um post sobre tudo que o precedeu.
E, por mais difícil que seja admitir,
ninguém nasce querendo morrer.
Mas muitos crescem sem aprender a viver.
Que essa história nos obrigue a sentir, pensar e principalmente agir — com humanidade.
Deixe nos comentários: O que essa história te faz enxergar sobre saúde mental e abandono?
Compartilhe para ampliar esse debate — porque silenciar é parte do problema.