08/04/2026
Completo bem-estar físico, mental e social.
Essa é a definição de saúde da OMS desde 1948.
Mas ela é um tanto incômoda.
Porque pela lógica dessa definição, qualquer pessoa com dor crônica, com ansiedade, com uma doença que não tem cura — nunca vai ser saudável. Nunca vai "cruzar a linha de chegada". E isso, além de falso, é cruel.
Em 2011, Huber e colaboradores publicaram no BMJ uma crítica a essa definição — e uma proposta que faz muito mais sentido para quem trabalha com cuidado de verdade: saúde como a capacidade de adaptação e autogestão diante dos desafios físicos, emocionais e sociais da vida.
Não é um estado. É um movimento.
Tenho pacientes com doenças avançadas que vivem com mais presença, mais clareza e mais conexão do que antes do diagnóstico. Não porque estão curados. Mas porque foram cuidados — de um jeito que sustentou sua capacidade de continuar sendo quem são.
Isso é o que os cuidados paliativos fazem quando são feitos bem. Não negam o sofrimento. Não apressam o fim. Sustentam a vida que ainda existe.
No Dia Mundial da Saúde, a provocação é essa: saúde não é perfeição. É presença. E cuidado de verdade honra isso — até o último dia.