29/12/2025
Um de sol, um de grau.
Não era o ideal.
Era o possível.
E talvez seja disso que esse texto fale.
Talvez a gente precise menos de um ideal para alcançar
e mais intimidade com o que é possível,
com o próprio limite,
com o que dá hoje.
Menos promessa bonita.
Mais sensibilidade para perceber até onde vai.
Sair do automático exige atenção.
Perceber quando a fala não vira gesto
e quando o discurso começa a substituir a experiência.
Tentar viver o que se diz, mesmo sem brilho,
mesmo meio torto, mesmo incompleto.
Precisar menos impressionar.
Descansar do personagem que funciona bem demais.
Diminuir o esforço constante de parecer melhor do que se está.
Aos poucos, sair dos próprios algoritmos.
Das respostas previsíveis.
Das reações já treinadas
que transformam qualquer diferença em ameaça.
Que a gente não leve tudo para o pessoal.
Nem todo silêncio é rejeição.
Nem toda discordância é ataque.
Nem tudo é sobre a gente.
Aprender a se respeitar quando algo não está sendo cuidado,
sem transformar isso em confronto,
sem precisar vencer o outro
para se manter de pé.
Que a gente não se coloque abaixo do outro
para caber,
mas também não precise se colocar acima
para se sentir seguro.
Encontrar um certo encaixe
sem se diminuir
e sem exigir que o outro confirme quem a gente é.
Nem tudo é crescimento.
Às vezes é só sustentar o dia sem se perder.
E, em alguns dias, isso já é muito.
Ter noção do próprio tamanho,
especialmente quando o mundo pede além
e a gente não precisa provar nada.
Que a gente não confunda simplicidade com preguiça.
Fazer o que é preciso com cuidado e interesse mas
sem precisar dar o sangue de outra área da vida.
Seguir começando.
Com menos espetáculo.
Com mais gentileza consigo.
Com o suficiente para continuar.
Esse é o meu desejo para este ano.