Psicanálise Viva BR

Psicanálise Viva BR Profissional da psicanálise que tem como objetivo levar o sujeito a se conhecer e assim viver de forma mais autêntica, consciente e mais leve.

Ajudo pacientes na diminuição dos sofrimentos causados pela ansiedade. Juliana Corazza Scalabrin

Um de sol, um de grau.Não era o ideal.Era o possível.E talvez seja disso que esse texto fale.Talvez a gente precise meno...
29/12/2025

Um de sol, um de grau.
Não era o ideal.
Era o possível.
E talvez seja disso que esse texto fale.

Talvez a gente precise menos de um ideal para alcançar
e mais intimidade com o que é possível,
com o próprio limite,
com o que dá hoje.

Menos promessa bonita.
Mais sensibilidade para perceber até onde vai.
Sair do automático exige atenção.
Perceber quando a fala não vira gesto
e quando o discurso começa a substituir a experiência.

Tentar viver o que se diz, mesmo sem brilho,
mesmo meio torto, mesmo incompleto.
Precisar menos impressionar.
Descansar do personagem que funciona bem demais.
Diminuir o esforço constante de parecer melhor do que se está.
Aos poucos, sair dos próprios algoritmos.
Das respostas previsíveis.
Das reações já treinadas
que transformam qualquer diferença em ameaça.

Que a gente não leve tudo para o pessoal.
Nem todo silêncio é rejeição.
Nem toda discordância é ataque.
Nem tudo é sobre a gente.
Aprender a se respeitar quando algo não está sendo cuidado,
sem transformar isso em confronto,
sem precisar vencer o outro
para se manter de pé.

Que a gente não se coloque abaixo do outro
para caber,
mas também não precise se colocar acima
para se sentir seguro.

Encontrar um certo encaixe
sem se diminuir
e sem exigir que o outro confirme quem a gente é.

Nem tudo é crescimento.

Às vezes é só sustentar o dia sem se perder.
E, em alguns dias, isso já é muito.

Ter noção do próprio tamanho,
especialmente quando o mundo pede além
e a gente não precisa provar nada.
Que a gente não confunda simplicidade com preguiça.

Fazer o que é preciso com cuidado e interesse mas
sem precisar dar o sangue de outra área da vida.

Seguir começando.
Com menos espetáculo.
Com mais gentileza consigo.
Com o suficiente para continuar.

Esse é o meu desejo para este ano.

Quando dezembro começa, muita gente já sente o peso da pergunta que sempre volta: com quem vai f**ar no Natal. Parece lo...
17/12/2025

Quando dezembro começa, muita gente já sente o peso da pergunta que sempre volta: com quem vai f**ar no Natal. Parece logística, quase neutra. Mas para quem faz análise, essa pergunta nunca é só sobre agenda. Ela fala do lugar que a gente ocupa, do quanto ainda se adapta para não desagradar, do preço de sustentar a harmonia.

Essa dúvida costuma f**ar mais solitária quando a gente olha para o lado e vê alguém dizendo, no estilo Rita Lee, que a família é tão do bem, tão galera, tudo ótimo. Dá vontade de acreditar que existe família sem conflito, sem tensão, sem incômodo. Mas aqui entra um chá revelação analítico: não existe amor sem ódio. Família é ambiguidade. Quem sustenta que é tudo perfeito muitas vezes ainda está idealizando e, sem perceber, pode julgar quem começa a questionar.

Quando essa camada cai, certas dinâmicas f**am visíveis. Triangulações silenciosas, alianças que pedem lealdade, filhos capturados para sustentar o equilíbrio dos pais. E entra também a chantagem emocional, aquela que não grita, não ameaça de forma direta, mas insinua. Um “vou f**ar tão triste”, um “só você mesmo para fazer isso comigo”. Não parece violência. Parece amor ferido. Mas funciona como amarra, porque desloca a responsabilidade para o filho e transforma limite em culpa.

É aí que a raiva infantil aparece. A criança que depende muito do amor dos pais aprende cedo que desagradar é perigoso. Fantasia que dizer não, frustrar, se colocar, pode destruir a família inteira. Surge a culpa onipotente, essa sensação antiga de que tudo depende de mim.

Essa fantasia não desaparece com o tempo. No Natal, ela volta inteira. Dizer não convoca a raiva e, junto com ela, o medo de ser taxada de egoísta, ingrata, fria. Como se limite fosse ataque. Como se não ceder fosse abandono.

Por isso tanta gente vai mesmo sem querer, faz ginástica emocional, engole o que sente, só para não ocupar o lugar de quem estraga tudo. O limite f**a guardado. A raiva vira para dentro.

Talvez amadurecer passe por reconhecer que raiva não mata ninguém e que limite não é desamor. Que sair de cena, às vezes, não é romper com a família, mas interromper uma chantagem antiga que adoece.

E talvez o respiro comece aí

Todas as férias, desde que voltamos para São Paulo, ele volta para lá sem transformar isso em anúncio ou ritual, não per...
16/12/2025

Todas as férias, desde que voltamos para São Paulo, ele volta para lá sem transformar isso em anúncio ou ritual, não pergunta muito, não faz cena, apenas se organiza e vai, como quem reconhece um lugar que segue sendo seu e não precisa ser renegociado a cada vez.

Ele que não costuma ser melado, pelo contrário, é direto, econômico nos gestos, pouco dado a demonstrações, e talvez por isso cada movimento pese mais, porque não vem do excesso nem da tentativa de agradar, mas de uma escolha silenciosa e firme que diz muito sobre como ele sustenta os vínculos.

Quando ele vai, vai sem discurso, sem sentimentalizar, sem transformar a relação em prova ou espetáculo, e isso revela uma autonomia afetiva rara, esse jeito de estar ligado sem grudar, de manter laços sem dramatizar, de ir e voltar sem precisar confirmar o tempo todo se ainda pode, se ainda cabe, se ainda é bem-vindo.

Ele está em pré-vestibular, atravessando um tempo de pressão, foco e expectativa, e eu me pego pensando, sem concluir nada e sem transformar isso em lição, como certas forças que sustentam uma pessoa não aparecem nos boletins, nem nas listas, nem nas provas.

Talvez algumas coisas sigam assim, quase invisíveis, fazendo o trabalho de manter alguém inteiro enquanto o mundo pede desempenho, e talvez seja isso que mais importe guardar.

Coisas que ninguém te contou sobre ver uma filha se formarVocê sorri enquanto segura uma pontinha de luto.O orgulho vem ...
11/12/2025

Coisas que ninguém te contou sobre ver uma filha se formar

Você sorri enquanto segura uma pontinha de luto.

O orgulho vem misturado com a sensação de que ela já caminha num lugar onde você não controla mais nada.

A pergunta silenciosa aparece: fiz o suficiente?

E então chamam o nome dela. E, num segundo, você lembra o motivo de ter escolhido aquele nome, lembra da espera, da gravidez, da primeira imagem que criou dela no pensamento. Aquela versão bebê que você carregava no colo e esta mulher que agora fala ao microfone se encontram dentro de você e não sei se alguma mãe está preparada para esse encontro.

O que ninguém te conta é que, enquanto os filhos crescem, alguma coisa antiga sua se mexe também. Uma lembrança da adolescente que você foi, de quem ainda busca um lugar para caber. Crescer dói nas duas direções.

E aí a formatura vira também um rito de passagem seu.
Porque, no fundo, mães também crescem quando os filhos crescem.

Por isso

Voa, pituca!

09/12/2025

Um pouquinho de humor

Às vezes a gente vê alguém segurando uma coisa com um cuidado diferente, e pode ser uma bolsa, um relógio, um óculos nov...
09/12/2025

Às vezes a gente vê alguém segurando uma coisa com um cuidado diferente, e pode ser uma bolsa, um relógio, um óculos novo, um carro conquistado depois de muito trabalho, um sapato reservado para um momento especial, até um perfume que a pessoa usa com uma certa hesitação, e percebe que aquilo não é só um objeto, não é só consumo, é história, é tentativa de existir num lugar que por muito tempo pareceu distante, é a mistura muito humana de orgulho e medo caminhando ao mesmo tempo.

Eu sempre me prendo nesses pequenos gestos porque eles contam o que a boca quase nunca dá conta de dizer.

Michel Alcoforado faz exatamente isso em Coisa de Rico. Ele ilumina uma parte do Brasil que muita gente prefere não olhar. Mostra que o rico antigo e o novo rico carregam seguranças completamente diferentes. O rico antigo cresceu dentro de regras que nunca precisou aprender conscientemente, porque estavam ali desde cedo, garantindo pertencimento sem esforço. O novo rico, ao contrário, chega depois, chega sozinho, chega tentando decifrar códigos que nunca lhe foram ensinados, chega com alegria e receio no mesmo passo, chega observando cada gesto para ter certeza de que não está errando.

E Freud ajuda a entender esse fundo emocional. Para ele, dinheiro não é exatamente sobre dinheiro. É sobre símbolo. É sobre poder condensado. É sobre a tentativa de construir do lado de fora uma segurança que faltou do lado de dentro. Quem não foi ouvido cedo procura alguma forma de falar, e às vezes fala através do que mostra, do que exibe, do que consegue comprar, não por vaidade, mas porque aquilo funciona como uma espécie de tradução. É por isso que essa frase nunca saiu de mim:

O consumo é o idioma possível de quem não teve espaço para falar.

E existe ainda outra camada, que quase ninguém comenta. O desconforto do rico antigo. A percepção silenciosa de que aquele lugar tão natural talvez nunca tenha sido tão garantido assim. O medo de perceber que o mundo mundo está mudando, que os códigos já não pertencem a uma família só, que o privilégio do pertencimento automático não é tão imutável quanto parecia. Há um medo antigo ali, guardado num canto onde ninguém toca, de perder (continua)

08/12/2025

A vida ensinou muita gente a não mostrar o que dói.
A esconder cada sensação de inadequação como se fosse defeito.
E, mesmo assim, seguimos nos comparando com quem parece dar conta de tudo.
No vídeo, eu falo da armadura, do cansaço… e do que Winnicott chama de encontrar um lugar onde a gente possa simplesmente existir.

Você acha que já superou… até um filme qualquer te desmontar.Se isso te atravessa porque você foi traída, traiu ou ainda...
06/12/2025

Você acha que já superou… até um filme qualquer te desmontar.
Se isso te atravessa porque você foi traída, traiu ou ainda tenta entender por que dói tanto abre o carrossel.
Tem algo seu ali dentro.

Às vezes a gente passa tantos anos acreditando que só merece existir quando entrega, produz, resolve e performa que qual...
01/12/2025

Às vezes a gente passa tantos anos acreditando que só merece existir quando entrega, produz, resolve e performa que qualquer pausa começa a parecer uma ameaça. Quem cresceu medindo o próprio valor pelo resultado aprende cedo a desconfiar dos intervalos, dos respiros, dos momentos em que não há aplauso nem métrica alguma para sustentar a própria vida.

Segunda-feira costuma ser o território onde tudo isso aperta, porque o mundo retoma o ritmo e a gente percebe o quanto é difícil permanecer inteiro quando não há nada para mostrar, nada para comprovar, nada que sirva como escudo contra as próprias inseguranças. F**a evidente como é fácil transformar cada gesto em prova de competência, como se o simples existir fosse insuficiente.

E talvez o que mais liberte, mesmo dando medo, seja reconhecer que um ser humano não perde valor quando desacelera, não desaparece quando descansa e não diminui quando não performa. O que sustenta, no fim das contas, é a capacidade de continuar sendo mesmo quando nenhuma conquista está iluminando o caminho, porque é nesse escuro manso que a gente finalmente se reencontra.









A primeira cena sempre revela tudo. Meu supervisor repetia isso quando eu ainda estava começando: a primeira fala de um ...
30/11/2025

A primeira cena sempre revela tudo. Meu supervisor repetia isso quando eu ainda estava começando: a primeira fala de um paciente já contém a história inteira, mesmo que apareça tímida, quase escondida. E esse pensamento voltou na mesma hora em que o filme abriu.

A casa surgiu encolhida entre pedras, afastada de qualquer caminho. O vento tocava as frestas como quem conhece a solidão que mora ali há anos. E a vitrola emperrou bem no meio da música, sempre no mesmo ponto. Um detalhe pequeno, mas que entrega o coração do filme: as repetições que atravessam gerações, as dores que travam no mesmo lugar, os ciclos que insistem porque ninguém conseguiu nomeá-los ainda.

A mesa com comida enlatada já dizia muito sobre sobrevivência. A avó, tão terna e tão marcada pelos preconceitos herdados, mostrava como amor e ferida podem caminhar juntos. E o cheiro do corpo morto chegando antes da imagem lembrava que certas memórias não pedem licença. Elas simplesmente entram.

Depois, o boneco de pano na casa do pescador. Ele e a co**ha criavam uma fina camada entre sonho e vida. Não para enfeitar, mas para sustentar a falta. Como se ocupassem, com delicadeza, o espaço que o desejo ainda não teve força para ocupar sozinho.

As outras histórias apareciam como variações da mesma dor.
A menina engolida pela própria mãe, que só consegue amar prendendo.
O rapaz homossexual tentando encontrar um lugar onde possa simplesmente existir.
A mulher com herança nazista, aceita pela sociedade apenas enquanto permanece pequena, menor do que é.
Cada vida ali caminhava por margens duras, onde a solidão não é escolha, é condição.

E no centro estava ele: o homem rejeitado pela vila, marcado por olhares que nunca o acolheram, sonhando em ser pai. Um desejo simples e profundo, sem artifícios. O filme olhava para ele com ternura lenta, como quem entende a coragem de querer mesmo depois de tanto não.

É aqui que o Édipo, explicado sem mistério, encontra lugar.
O Édipo não fala só de sexualidade, como tanta gente imagina.
Fala das primeiras relações que nos formam (continua)

27/11/2025

Esses dias ouvi uma frase e ela ficou ali, parada em mim, lembrando do que realmente acontece quando alguém se escuta. Não é iluminação. Não é virada épica. É um ajuste quase imperceptível, mas que muda tudo.

E dá para entender porque alguns psicanalistas f**am desconfortáveis quando falo disso. Tem gente que prefere a clínica limpa, técnica, distante. Só que ninguém chega até mim vivendo uma vida limpa assim. Todo mundo traz alguma coisa que pesou demais, que apertou demais, que pediu demais.

Eu não estou aqui para lapidar ninguém.
Quero só que caiba ar.
Que respirem.

Que sintam sem medo de estar errando. Que desejem sem pedir desculpas. Que existam sem ter de encolher o próprio corpo para não incomodar. Essas exigências invisíveis afastam qualquer um de si.

E quando, no meio disso tudo, aparece um ponto de verdade, mesmo pequeno, é ali que o trabalho acontece. Sem palco, sem promessa, sem garantia.

Só o que é real.

Para os vestibulandos de hoje, em especial ao meu
23/11/2025

Para os vestibulandos de hoje, em especial ao meu

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Floriano, PI
15061800

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