Psicanálise da vida cotidiana por Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri

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Psicanálise da vida cotidiana por Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri Esta é minha página profissional, onde postarei reflexões elaboradas a partir da minha experiênc

O que o Coronavírus dá a ver???Na foto tirada em Las Vegas, enquanto os hotéis estão vazios, se usa uma área de estacion...
03/04/2020

O que o Coronavírus dá a ver???

Na foto tirada em Las Vegas, enquanto os hotéis estão vazios, se usa uma área de estacionamento com marcações de distância como local para os moradores de rua dormirem. Diante dessa imagem, pergunto: Pode a Saúde Coletiva negar a luta de classes? Pode a psicanálise desconsiderar o socioeconômico na formação do sofrimento psíquico?
Voltemos a Freud, quando questionado sobre o papel da cultura, ele afirma que psicologia social e psicologia individual coincidem, pois, a civilização humana “inclui todos os regulamentos necessários para ajustar as relações dos homens uns com os outros e, em especial, a distribuição da riqueza disponível” (1996, p. 16).
Nas palavras de Freud, para se compreender o desenvolvimento sociocultural, “O primeiro passo consiste em distinguir entre privações que afetam a todos e privações que não afetam a todos, mas apenas a grupos, classes ou mesmo indivíduos isolados”. As injustiças sociais são desde sempre flagrantes e precisam ser reconhecidas.
Segundo noticiou o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, em 2019, a desigualdade de renda dos brasileiros atingiu o maior patamar já registrado. Qual a resposta do atual governo para isto? A imbecilidade. A negação do óbvio. Pautas políticas caracterizadas pela contínua desvalorização moral, social e política dos pobres.
O vírus não escolhe classe social, mas o contágio e as possibilidades de tratamento dependem, sim, de fatores socioeconômicos. Basta lembrarmos que na favela da Rocinha, pessoas, aos montes, morrem de tuberculose, uma doença que pode ser evitada se houver condições adequadas de moradia, com circulação de ar e luz, o que não é a realidade da favela.
Cada vez mais, f**a evidente que as questões relacionadas ao viver e ao morrer estão associadas à desigualdade social. Só não vê quem não quer.

06/01/2020

Compartilho este artigo publicado na última edição da Revista de Psicologia da UNESP em parceria com meu orientador, Sílvio Benelli. Esta publicação é parte de um dos ensaios da minha tese "Os (Im)possíveis da Saúde Coletiva: Ampliação da Clínica, do Cidadão de Direitos ao Sujeito do Inconsciente"

http://seer.assis.unesp.br/index.php/psicologia/article/view/1534/1348

Desde o ano de 2016, quando a presidência do País foi tomada pelos governos de Direita, a Política Nacional de Atenção Básica vem sendo desmontada. Em 2017, a Portaria GM/MS 2.436/2017 retirou o apoio matricial como prioridade do NASF, em 2019, a Lei nº 13.958/2019 iniciou a extinção gradual do Programa Mais Médicos e a partir de janeiro de 2020, passou a vigorar a Portaria nº 2.979/2019 que reformulou o financiamento da Atenção Básica, de modo que, a partir de 2021, alguns municípios podem receber menos repasses de verbas federais, além disso, tornou-se opcional ao gestor municipal continuar ou não aplicando recursos no NASF.
De acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS, 2018) a Atenção Básica pode atender de 80 a 90% das necessidades de saúde de uma pessoa ao longo da sua vida, por isso ela é a peça-chave do SUS.
Em tempos de desmonte da Saúde Coletiva e de estrangulamento dos direitos sociais, é urgente retomarmos os ideais da Reforma Sanitária e da própria Constituição, que colocam a saúde na ordem da política, enfatizando os determinantes socioeconômicos do adoecimento.

05/12/2019

Trabalho apresentado no SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE E PRÁTICA MULTIDISCIPLINAR NA SAÚDE - UEL-UERJ

"Na Atenção Psicossocial, a maioria dos tratamentos é paramentada pelo Discurso Médico (Clavreul, 1983), o qual concebe a toxicomania pelo prisma orgânico e curativo, entendendo que sua suposta cura é a abstinência (Shimoguiri & Périco, 2014). Na contramão do curativismo está a Psicanálise de Freud e Lacan, que precavida pelos impossíveis freudianos – governar, educar e analisar - não impõe nenhum ideal de cura, tampouco atribui signif**ados tautológicos ao uso de dr**as.
Com efeito, há a superação das terapêuticas baseadas nos princípios disciplinares doença-cura, sujeito-objeto e saber-poder, isto é, nos Discurso do Mestre e Discurso da Universidade (Lacan, 1992). Ao introduzir o Discurso da Histérica e Discurso do Analista (Lacan, 1992), a psicanálise defende que toda tentativa de curar outrem é desde sempre fracassada, haja vista que cada sujeito apresenta formas singulares de angustiar-se na sua ex-sistência e, sobretudo, como disse Freud: “Não existe uma regra de ouro que se aplique a todos: todo homem tem que descobrir por si mesmo de que modo específico ele pode ser salvo” (Freud, 1930[1929]/1996, p. 91). Em outras palavras, é o saber do inconsciente que precisa ser produzido para que o sujeito possa curar-Si.
O objetivo deste trabalho foi fundamentar os atendimentos terapêuticos ocupacionais, mais especif**amente as oficinas realizadas nos CAPS, à luz da Psicanálise de Freud e Lacan, considerando que a psicologia não é a única profissão que pode sustentar a ética da Psicanálise.
Se o desejo do analista é que haja análise, visamos ofertar oficinas variadas, operando nas entrevistas preliminares (Quinet, 2005), aguardando que, num dado momento, já que a oferta gera a demanda, ao adentrar a Função e campo da fala, ao topar com sua verdade, alguma questão sobre o uso de droga se colocasse ao sujeito, e, a partir daí, pelo seu dis-curso, lhe fosse possível produzir um saber de estatuto inconsciente, capaz de fazer frente ao uso abusivo de dr**as, à repetição.
Minha prática de atuação como terapeuta ocupacional nos CAPS aponta para o fato de que é extremamente válido pensar um alargamento das possibilidades do campo comum da psicanálise em intenção (Rinaldi, 1997; Alberti & Elia, 2000; Elia, 2010; Costa-Rosa, 2015), que ouse ir além do lócus originário, do tradicional setting psicanalítico. Ademais, nenhum trabalhador adentra a Atenção Psicossocial como psicanalista, entretanto, a Psicanálise, a despeito de não ser convocada, é um referencial eticamente necessário para que não somente os terapeutas ocupacionais, mas também outros trabalhadores, possam redimensionar suas práticas, pelo avesso do Discurso Médico (Clavreul, 1983), situando-as nos horizontes do desejo, não da disciplina".

Link para texto na íntegra:

Desde Freud, o sofrimento psíquico não pode ser separado da cultura, também Lacan não se absteve de ter o que dizer sobr...
04/10/2019

Desde Freud, o sofrimento psíquico não pode ser separado da cultura, também Lacan não se absteve de ter o que dizer sobre o que se passa na polis. A partir da Reforma Sanitária e da idealização do SUS, consideramos que a saúde e a doença são manifestações do social, para-além de serem apenas fenômenos orgânicos.
A saúde mental sempre foi julgada por um prisma moral, cada sociedade caracteriza os modos de vida que são ou não aceitáveis. Daniela Arbex, ao recuperar dados dos sujeitos internados no Hospital Colônia de Barbacena/MG, o maior hospício brasileiro, relata que eles compartilhavam da característica de não agradar a classe social dominante, este era o padrão para a internação psiquiátrica. “Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoolistas, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava, gente que se tornara incômoda para alguém com mais poder” (ARBEX, 2013, p. 12-13).
É eticamente necessário para a Psicanálise considerar a gênese e o tratamento social do sofrimento psíquico, portanto, fundamentar uma clínica que recusa a posição de neutralidade ante à luta de classes, entendendo que os conflitos da luta de classes se estendem às minorias sociais, nas violências de gênero (homofobia, misoginia), de raça (racismo), de religião (intolerância), entre outras, seguramente, é um problema com o qual a Psicanálise deve se ocupar.
Em tempos de retrocesso, com um regime de governo reacionário, não podemos nos calar, ou assistiremos novas edições do "Holocausto Brasileiro". A Psicanálise como práxis de trabalho não está fora da política,o analista que não se adverte disto, é ingênuo ou cínico (Ana Flávia, 04/10/19).

Imagem: releitura de Nany People do quadro "A Liberdade guiando o povo", de Eugène Delacroix.

Sobre a prevenção ao suicídio..."Nenhuma verdade pode ser localizada a não ser no campo onde ela se enuncia – onde se en...
17/09/2019

Sobre a prevenção ao suicídio...

"Nenhuma verdade pode ser localizada a não ser no campo onde ela se enuncia – onde se enuncia como pode” (Lacan)

A sociedade capitalista, no auge do individualismo e do declínio da alteridade, produz des-enlaces intersubjetivos que, de partida, precisam ser considerados nas manifestações contemporâneas do sofrimento psíquico.
O homem é um sujeito do inconsciente e ao mesmo tempo, um ser social. Há na estruturação subjetiva homologias à estruturação social, logo, cada sociedade produzirá suas próprias respostas ao mal-estar. Neste sentido, é necessário pensar o suicídio como um Sintoma Social Dominante que tem relação direta com a forma de relacionamento demarcada pela expropriação na Sociedade de Consumo, onde ele surge como uma mensagem de denúncia/objeção: Quanto vale uma vida?
Desde Marx sabemos que "Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens", por isso, é urgente considerarmos que ações de prevenção ao suicídio estão para-além das paredes dos consultórios dos psiquiatras ou psicanalistas e precisam transcender o campo da Saúde. É preciso pensar o laço social, é preciso compreender que a política faz morrer.

Supervisão institucional para a Rede de Atenção à Saúde de Mirante do Paranapanema ao lado dos queridos João Renato e Da...
30/08/2019

Supervisão institucional para a Rede de Atenção à Saúde de Mirante do Paranapanema ao lado dos queridos João Renato e Davi. Trabalho feito de muito desejo e de luta, sustentando o possível de uma saúde coletiva para-além do organismo, que seja subjetivada e socializada.

“Os trabalhadores são a parte da instituição por meio da qual ela pode tomar consciência de si e para si” (Costa-Rosa).

A política de saúde é uma política social, portanto, está atravessada pela luta de classes. Saber da má fé da justiça no...
26/08/2019

A política de saúde é uma política social, portanto, está atravessada pela luta de classes. Saber da má fé da justiça no Brasil, engajada numa necropolítica para matar o pobre, nos faz concluir que a Guerra às dr**as é um extermínio disfarçado de segurança e saúde.
Pelo viés da Psicanálise, saúde é a pura diferença, é a capacidade do sujeito de cuidar-se; não existe ideal de saúde. Qualquer ação proibicionista reduz o outro a um objeto que se pretende dominar.
Pelo avesso do impossível de governar, educar e curar, está a aposta da psicanálise, de que cada um é capaz de encontrar respostas singulares para sua vida.

Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri; Sara Mexko; Laura Pampana Basoli Mesa Redonda: O lugar necessário da psicanálise de F...
25/08/2019

Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri; Sara Mexko; Laura Pampana Basoli

Mesa Redonda: O lugar necessário da psicanálise de Freud e Lacan no CAPS: tratando os sujeitos da toxicomania para além do capital e das disciplinas

Simpósio Uel-Uerj: “Psicanálise e Prática Multidisciplinar na Saúde”
25/08/2019

Simpósio Uel-Uerj: “Psicanálise e Prática Multidisciplinar na Saúde”

O discurso do analista é o único laço social que trata o outro como um sujeito. O ato analítico ocorre nesse laço social...
31/07/2019

O discurso do analista é o único laço social que trata o outro como um sujeito. O ato analítico ocorre nesse laço social inédito, no qual são promovidas as desidentif**ações aos ideais do Outro e a libertação do sujeito do poder mortífero das palavras que o determinaram, pois o ato analítico desaliena o sujeito.
O analista, em seu discurso, se autoriza do saber do inconsciente para obter do sujeito-analisante sua pura diferença (Antonio Quinet - Os outros em Lacan).

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