06/01/2026
Às vezes, o concreto não está fora — está dentro.
São crenças rígidas, histórias que contamos a nós mesmos, medos antigos que se tornaram estrutura. Na psicologia, chamamos isso de defesas: elas surgem para proteger, mas com o tempo podem impedir o crescimento.
A flor representa aquilo que insiste em viver apesar disso. Um desejo, um afeto, uma possibilidade de mudança. Não nasce forte; nasce frágil. E justamente por isso encontra frestas. A psique não muda por ruptura brusca, mas por repetição, presença e sentido.
Crescer dói porque exige atravessar o endurecido.
Mas o concreto não some de uma vez — ele racha.
E cada pequena rachadura é um sinal de que algo novo está se organizando por dentro.
Na clínica, a transformação raramente é imediata. Ela acontece quando o sujeito suporta permanecer, mesmo sem garantias. Quando aceita que o processo é lento, imperfeito e, ainda assim, vivo.
Se há flores quebrando o concreto, há vida encontrando caminho.
E onde há caminho, há possibilidade de cuidado, reconstrução e continuidade.