13/10/2024
Hoje completo cento e vinte e quatro dias de recuperação de um AVC isquêmico. No dia nove de junho deste ano, após mais um dia produção de trabalho, fui surpreendido ao acordar com pressão alta, dor de cabeça e dormência nos braços, além de uma leve exaustão e náuseas. Como estava fazendo um curso técnico em enfermagem na época, por precaução, decidi medir (aferir) minha pressão arterial, o resultado, 19/11 às 5h da manhã, em descanso durante a manhã, ela permaneceu na mesma. Decidi então ir até a UPA avisei minha mulher que iria consultar e fui dirigindo, sem imaginar o que viria a seguir.
Chegando lá, encontrei com meu filho mais novo, que estava de plantão no atendimento. Sabendo do meu histórico, ele rapidamente percebeu os sinais de um possível AVC (já havia passado por isso em 15/03/2014), os sintomas se confirmaram na triagem e logo em seguida se manifestaram no consultório médico durante a anamnese com a médica. Em menos de 15 minutos, eu já fui atendido e passei a ser medicado, e em cerca de 40 minutos fui transferido para o Hospital de Clínicas de Ijuí, onde o diagnóstico foi confirmado: “AVC isquêmico de causa indeterminada”. A pergunta que vem à mente é: Como assim, causa indeterminada? Bem, todos os exames – clínicos, laboratoriais e de imagem – não apontaram nenhuma anomalia. A causa permanece desconhecida.
Desde esse dia, estou em uma jornada de recuperação de algo desconhecido que não parecia grave, pois fiquei internado apenas três dias, mas, que impactaram profundamente a minha vida e de meus familiares. Meus reflexos, movimentos, deglutição, e até minha capacidade lógica e emocional foram afetados. Não sabemos o que causou o AVC, mas aprendi algo valioso: por mais que nos preparemos, a vida sempre encontra uma maneira de nos surpreender. E, acima de tudo, ela nos ensina a ser mais fortes e resilientes.
Aceitar ajuda, quando somos grandes e fortes, pode ser difícil, quase constrangedor. Mas entendi que receber o apoio das pessoas ao nosso redor, de coração aberto, é um ato de humanidade e a vida nos lembra que a verdadeira força está em aceitar a vulnerabilidade e em nos deixar ser cuidados por aqueles que se importam."