18/12/2025
Durante muito tempo, quatro amigos com síndrome de Down fizeram o que qualquer pessoa faz:
procuraram emprego.
Currículos entregues, entrevistas, expectativas.
E, quase sempre, a mesma resposta — quando vinha: “não temos vaga”.
Não porque faltava capacidade.
Mas porque o preconceito ainda decide antes da oportunidade.
Cansados de esperar por um “sim” que nunca chegava, eles decidiram fazer algo diferente.
Se o mercado não abria espaço, eles criariam o próprio.
Com o apoio das famílias e uma paixão em comum pela cozinha, nasceu a ideia de uma pizzaria artesanal para eventos. Nada de improviso. Houve aprendizado, organização, rotina, responsabilidade. Trabalho de verdade.
Assim surgiu a Los Perejiles, em Buenos Aires, na Argentina.
No início, eram poucos pedidos. Mas cada pizza era feita com cuidado, técnica e orgulho.
Quem contratava percebia rápido: não era só uma boa história — era um bom serviço.
As indicações começaram. Os vídeos circularam. A história ganhou visibilidade.
E o que cresceu ali não foi só o reconhecimento, foi o negócio.
Com o tempo, a Los Perejiles passou a contratar outros jovens com síndrome de Down.
Hoje, mais de 20 pessoas fazem parte dessa equipe. Pessoas que trabalham, recebem, aprendem, se desenvolvem e ocupam um lugar que sempre deveria ter sido delas.
Essa história não fala sobre “superação individual”.
Ela fala sobre o que acontece quando a sociedade oferece oportunidades reais.
Porque inclusão não é aplauso.
É acesso.
É trabalho.
É dignidade.
Que histórias como essa deixem de ser raras.
E passem a ser comuns.