14/03/2026
HISTÓRICO: RECEPÇÃO DE RN NA SALA DE PARTO E CUIDADOS NO BERÇÁRIO DO HOSPITAL CARLOS FERNANDO MALZONI 🏥👶
Quando cheguei a Matão em 1972 para iniciar minha atividade como pediatra e montar toda a estrutura (não havia praticamente nada), o principal desafio foi organizar um berçário funcional 🍼. Precisei reformular tudo: havia somente uma incubadora (que não funcionava direito), uma balança, alguns berços e um tubo de oxigênio. Era muito rudimentar. Quando nascia um RN (recém-nascido), ele era cuidado pelos obstetras que faziam a cesárea ou o parto normal (doutores Takashi, Massuda e Sidney). Se a criança nascesse com qualquer anormalidade, teria que ser encaminhada para cidades próximas com mais recursos (caso conseguisse vaga). Se não conseguisse, a chance de sobrevivência f**ando aqui era muito pequena. E mesmo conseguindo a transferência, a chance ainda era pequena, porque só havia UTI no Hospital das Clínicas (HC) em Ribeirão Preto.
Então, ao chegar em 1972, comecei a atuar: primeiramente, trouxe toda a rotina de recepção e cuidados de berçário do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Dei inúmeras aulas para as enfermeiras aprenderem a cuidar de recém-nascidos 🧸. Consegui a realização de exames de rotina mais simples de berçário com os senhores Guido e Molin, técnicos que vinham do HC de Ribeirão Preto duas vezes por semana. Assim, fomos melhorando a estrutura do berçário para dar um bom atendimento aos recém-nascidos — esta é a parte do pediatra.
Fui aos diretores da época, a quem sou muito grato (pois apoiaram toda essa minha iniciativa), e passamos a melhorar a estrutura do berçário: compramos nova incubadora, berço aquecido, novos berços 🛏️ e aparelhos para exames. Eles deram apoio a todas as minhas reivindicações.
Um ano após, em 1973, chegou o doutor Hisasi, obstetra e ginecologista, que já assumiu a chefia dessa especialidade na maternidade. Então, após um ano, o berçário já tinha uma boa estrutura de equipamentos, uma equipe de enfermagem adequada, laboratório funcionando e toda a rotina de recepção de RN e atendimento no berçário trazida do HC de Ribeirão Preto (que, praticamente, é a base do atendimento até hoje). Já contávamos com um obstetra (Doutor Hisasi), um pediatra (eu, Doutor Luiz), enfermagem e laboratório, tendo, então, uma estrutura funcional. Com isso, passaram a nascer mais recém-nascidos em Matão 👣.
Então, além de toda essa estrutura montada — física, humana (profissionais de saúde) e laboratorial funcionando bem —, a grande conquista no berçário que consegui, desde quando cheguei em 1972, foi ter INSTITUÍDO A PRESENÇA DO PEDIATRA NA SALA DE PARTO, para a recepção de RNs de partos normais e cesáreas 🩺👶.
Nessa época, em 1972, praticamente no Brasil somente as faculdades de medicina (hospitais-escola) tinham o pediatra na recepção do RN. Fomos um dos primeiros hospitais não escola a adotar esse procedimento, recepcionando todos os RNs independentemente de convênios (que nem havia ainda na época). Foi uma grande conquista pioneira em Matão nessa área. Durante oito anos, eu fui o único pediatra na cidade e recepcionava todos os RNs na sala de parto (só não recepcionava quando viajava, o que era muito raro) após essa obrigatoriedade de ter o pediatra na sala. Todos os colegas que chegaram após esses 8 anos abraçaram esse projeto. A participação do pediatra na sala de parto diminuiu drasticamente o índice de mortalidade infantil, principalmente no primeiro mês de vida, que era muito alto devido à falta dessa estrutura mostrada anteriormente anterior. Em 2016, a exigência de pediatra na sala de parto tornou-se obrigatória por lei federal, mas foi um processo difícil, pois houve muita discussão, contrariedade e polêmica até conseguir fixar pediatras na sala (ver artigo anexo). Hoje, é bem mais fácil ter o pediatra, pois ele f**a dentro do hospital 🏥.
Agora, com o passar do tempo, conseguimos ter UTI Neonatal, UCIN, teste da orelhinha, do coraçãozinho, da linguinha, do pezinho 👣, alojamento conjunto e outros. Com isso, a evolução continua. Há algumas décadas já não tem mais aquele formato antigo de berçário: os RNs, logo após o nascimento, já vão para o quarto e f**am com suas mães, que aprendem e passam a cuidar dos seus filhos desde o primeiro momento 🤱.
Esta é a história e a evolução do atendimento na maternidade e no “berçário” do Hospital Carlos Fernando Malzoni, desde o início (quando praticamente não tínhamos nada) até hoje, tornando-se referência no estado de São Paulo 🌟.
A maternidade, que praticamente se iniciou com o doutor Hisasi (1973), hoje é referência no estado de São Paulo, proporcionando atendimento de alto padrão às gestantes de ALTO RISCO e fazendo pré-natal específico para as suas necessidades 🤰. Elas f**am em uma casa de apoio até o RN nascer, contando com uma infraestrutura invejável e um corpo clínico de obstetras de alto padrão para dar esse atendimento.
E a parte do “berçário” (que não existe mais no formato antigo) — ou seja, desde o nascimento com o pediatra na recepção e os cuidados na sua permanência no hospital até a alta (parte realizada por mim) —, contou com o apoio total das diretorias desde 1972, e tenho certeza de que a partir de agora novos avanços sempre virão ✨.
Hoje, todo o atendimento tem um padrão de primeiro mundo, é referência no estado de São Paulo e é um grande motivo de orgulho para o HCFM e para a nossa cidade 🏙️💖.
A seguir, mostrarei a imagem da matéria referente às diretrizes do Ministério da Saúde da portaria nº 306/2016 MS que exigem o pediatra na sala de parto 📄👨⚕️.
Doutor Luiz José Cerqueira
2026