28/03/2026
A mesma balança.
O mesmo neto.
A mesma terra.
Antes, as mãos do meu pai.
Hoje, as mãos da minha mãe.
Anos atrás, uma atemoia orgulhosa da colheita dele.
Hoje, uma manga Palmer de mais de um quilo, doce, perfumada, perfeita.
Ele partiu de repente em julho do ano passado.
Mas há presenças que não sabem ir embora.
Permanecem na sombra das árvores que plantaram,
no cuidado que ensinaram,
na paciência da espera,
e no amor que deixou raízes.
Ver meu filho atrás dessa mesma balança é enxergar o tempo em silêncio,
unindo passado, presente e aquilo que ainda vai florescer.
Meu pai não está nas fotografias.
Mas está em tudo o que ela carrega.
Porque o que é cultivado com amor
não termina.
Continua dando frutos. 🌿