24/01/2026
Os números mostram algo que muitas vezes não conseguimos enxergar no dia a dia: em diferentes países do mundo, especialmente nos mais desenvolvidos, os homens morrem mais por suicídio.
Mas isso não fala de fraqueza. Fala de silêncio.
Desde cedo, muitos homens aprendem que sentir demais é perigoso, que chorar é sinal de falha, que pedir ajuda é perder valor, que o papel deles é sustentar, resolver, aguentar.
E assim, a dor vai sendo empurrada para dentro.
Mesmo em lugares onde existem serviços de saúde mental, muitos homens só chegam quando o sofrimento já virou colapso. Não por falta de acesso, mas por dificuldade de se permitir cuidado.
O peso da autossuficiência cobra caro.
Em sociedades cada vez mais individualistas, digitais e aceleradas, o isolamento cresce.
Redes de apoio diminuem.
O pertencimento se fragiliza.
E quando o trabalho, o status ou a função social se perdem, muitos homens sentem que perdem também o próprio chão.
Some-se a isso a dificuldade de nomear emoções, de reconhecer limites, o resultado é um sofrimento profundo, vivido em silêncio e, muitas vezes, resolvido de forma definitiva, porque os meios escolhidos tendem a ser mais letais.
Esses dados não dizem que homens sofrem mais.
Eles dizem que sofrem sozinhos.
Falam de uma masculinidade que ainda precisa ser curada.
De um masculino que precisa reaprender que força também é pedir ajuda.
Que presença é mais poderosa que controle.
Que sentir não diminui, humaniza.
Cuidar do sagrado masculino é abrir espaço para conversas que salvam, é criar lugares onde o homem possa existir inteiro, não apenas funcional.
Se esse tema toca você, não silencie.
Falar também é um ato de coragem.
E cuidado é um direito de todos.