20/11/2020
Dia da Consciência Negra, marchamos, pois, nos é negada a dignidade. Mulheres Negras Resistir para Reexistir!
Sou Negra sim e quero viver, pois torna-se mulher, mas as realidades se diferem quando a pele é preta. Meus passos vieram de longe, lutamos pela liberdade, lutamos pela oportunidade, lutamos por dias de vida aos nossos filhos jovens negros, lutamos para poder ter o salário igual e gerar renda, desenvolver a sociedade humana e economicamente, sem apartheids, sem divisões de raça, classe, gênero.
No dia que está raiando, o 20 de novembro Dia da Consciência Negra, data é sinônimo de feriado nas cidades. No total, são 832 cidades brasileiras dos 5.570 municípios do país que consideram a data um feriado. Isso porque, mesmo sendo comemorada oficialmente desde o ano 2011, pela Lei 12.519, que instituiu o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, ela não entrou para os calendários de feriados nacionais, devido ao Congresso nunca ter legislado sobre o tema.
Neste espaço de poder legislativo, vimos mulheres negras e mulheres, saírem em maior número, mas apesar de um pequeno avanço ainda tentam quebrar as correntes da sociedade ra***ta institucional, onde a câmara federal não reflete a expressão da nação brasileira com a Sub representação de 3%, mesmo com os resultados do domingo (15), onde mais de 5,4 mil prefeitos eleitos, aproximadamente 1,7 mil candidatos se declararam pretos ou pardos, o que corresponde a 32% do total. O número é superior a 2016, quando 29% dos candidatos eleitos eram negros segundo a classificação do IBGE.
Lembrando a Campanha *SE NÃO ME VEJO, NÃO IDENTIFICO*, reverbera no cotidiano das mulheres negras a opressão que decaem sobre seus corpos, mulheres candidatas negras ainda que poucas, eleitas sendo ameaçadas de morte em Santa Catarina. Mulher Afro-indígena eleita em Belém do Pará, morta a tiros, sim basta uma mulher negra se movimentar e toda a sociedade se mexe com ela, mas os ra***tas querem ceifar suas vidas.
Nesta data abominada pelo Presidente da Fundação Zumbi dos Palmares, Sergio Camargo, que atenta sobre a origem histórica da instituição, desacredita a notoriedade de grandes lideranças negras do País reconhecidas pela instituição a exemplo de Benedita da Silva, Marina Silva, Leci Brandão, Janete Pietá entre outros nomes, e como senão bastasse quer como a linha do governo vigente apagar a verdade dos fatos históricos, trocando o nome que referencia a luta pela liberdade, na figura de Zumbi dos Palmares da fundação. Está é a sua pretensão já divulgada.
Na mesma toada de negação de existência e das lutas referenciais da população negra, o próprio Governo tira o protagonismo da SEPPIR e da SPM, e sucateia as políticas de promoção da igualdade, enfrentamento ao racismo e valorização da cultura negra, que representa 54% da Nação brasileira, em baixa representatividade nos postos de poder. Seguindo com a política Genocida que continua matando jovens negros em 84,69% assassinados pelo padrão suspeito. Assassinados pela necropolítica, que se estende em período pandêmicos na casa de milhões de brasileiros, em uma crise sanitária, onde morreram pobres na linha de frente do tratamento, trabalhadores de serviços essenciais e informais, trabalhadores que não puderam deixar de trabalhar, além de pessoas pobres idosas e com comorbidades, com acesso desigual ao sistema de saúde. Quase 55% de pretos e pardos morreram, enquanto, entre pessoas brancas, esse valor ficou em 38%. A porcentagem foi maior entre pessoas negras do que entre brancas em todas as faixas etárias e comparando todos os níveis de escolaridade.
Todos os dados de vulnerabilidade mostram, que pessoas negras em geral estão nas regiões mais marginalizadas, mais periféricas e esses lugares em geral são lugares que têm baixa oferta de serviço de saúde, da estrutura para se manter o mínimo da higienização local para o ato preventivo. Confinados sem água potável, em até oito ou dez moradores em um mesmo espaço.
Se no confinamento aumenta a contaminação e a probabilidade de óbito sobre negros e negras, também aumentam os índices de violência doméstica e feminicídio na vida das mulheres negras. O direito à vida das Mulheres, reconhecida pela ONU escorre por entre mãos violentas de homens agressor e de um Estado mínimo, que não conhece que o racismo existe e mata, que não reconhece o valor humano das pessoas, que não reconhecem a negritude ainda sobre o processo pandêmico, constatamos o aumento da morte de mulheres negras em 73% das mortes por feminicídio.
Estendido a opressão, a desigualdade e a vulnerabilização das crianças que estão em casa e muitas sem acesso ao direito da educação, em dias atuais remota, a internet e a falta de equipamentos, são parâmetros reais da desigualdade vivida pela grande maioria das crianças e jovens negras e negros.
*MARCHAMOS neste dia, Mulheres Negras, negros e ANTIRRACISTAS*:
•Pelo direito da igualdade de oportunidade, nas frentes de trabalho, na cidadania e no acesso a dignidade humana;
•Contra a permanência do estado mínimo instituído por um Governo Fascista, Machista e Ra***ta do Bolsonaro;
•Por quê *Vidas Negras Importam* e precisamos *Resistir para Reexistir*.
•Em defesa da nossa Cultura Ancestral e de todos os registros de nossas histórias;
•Pelo direito adquirido das Comunidades Tradicionais e dos Povos, pelo direito de ter direito;
Porque somos uma entidade de União Brasileira de Mulheres, na sua maioria negra que lutamos contra toda a forma de opressão: lutamos contra o racismo, a violência, a intolerância, o xenofobismo;
Pela vida de todas as pessoas negras que precisam ainda hoje demarcar suas lutas para conseguir sobreviver;
Porque defendemos os direitos reconhecidos das mulheres de viver, de ir e vir, sem medo.
Pelo que nos une, tire o seu racismo do caminho, fora Bolsonaro, *Resistir para Reexistir*._ *VIDAS NEGRAS IMPORTAM!!!*
União Brasileira de Mulheres
(Fonte: Agência Senado)