10/11/2025
Eu me lembro da minha mãe fora da piscina me falando, vira a cabeça, roda o braço assim.
Ela que não sabia nadar com a cabeça submersa estava me ensinando o movimento. O professor estava lá também, mas minha mãe gostava de reforçar o aprendizado, talvez estivesse até atrapalhando, mas o que importa é que ela estava ali, presente e atenta e isso ficou gravado em mim.
Íamos à pé até o Jóquei clube de Goiânia. A ida por si só já era um evento. Três meninas , sem contar as vizinhas que iam com a mãe delas também.
Eu gosto dessa memória, do piso na calçada e de como eu tentava pisar em determinadas cores e evitar outras. Gosto mais ainda da memória dela me assistindo.
Agora é minha vez de levar minha filha à natação. O lugar dos pais esperarem é encima, com um vidro… Ela não quer que eu fique lá. A maioria dos pais está no celular, inclusive eu ( escrevendo agora durante a aula). Achamos que estamos otimizando o tempo, resolvendo outras coisas enquanto eles estão ocupados. Mas estamos na verdade desperdiçando um momento precioso. Vejo os olhinhos dela procurando os meus, faço um coração com as mãos. Ela faz outro. Vejo os olhinhos de outras crianças procurando também, muitos sem encontrar.
Sei que nem todos podem estar presentes - eu mesma não consigo todos os dias. Mas mesmo quando estamos presentes, muitas vezes não estamos.
É difícil nadar contra a maré. Por enquanto serei a mãe assistindo a aula sentada na escada, passando calor, mas de olhos atentos. O celular vai ficar na mochila. Minhas mãos estarão prontas pra fazer um coração quando ela olhar. E meus olhos vão dizer: estou aqui. Um dia, algum lugar dentro dela, vai se lembrar disso.