Fala Miliane "O seu silêncio não te protegerá." ~Audre Lorde

29/04/2026

Há perdas que não são só sobre o outro, mas sobre quem a gente deixa de ser.

O tempo passa, mas nem tudo vai embora com ele.Aquilo que a gente evita, silencia ou finge que não vê costuma permanecer...
23/04/2026

O tempo passa, mas nem tudo vai embora com ele.

Aquilo que a gente evita, silencia ou finge que não vê costuma permanecer, ocupando espaço de outras formas na vida.

Curar não é só esperar os dias seguirem. É se implicar, olhar com mais honestidade para o que dói e assumir a própria parte no processo.

O tempo pode até abrir caminho. Mas a mudança acontece quando você decide caminhar.

O tempo não faz o trabalho que é seu.

Quando o olhar do outro é gentil, a gente floresce sem perceber.
19/04/2026

Quando o olhar do outro é gentil, a gente floresce sem perceber.

A forma como nos vinculamos também define como sobrevivemos.Nem sempre a gente percebe, mas os vínculos que construímos ...
15/04/2026

A forma como nos vinculamos também define como sobrevivemos.

Nem sempre a gente percebe, mas os vínculos que construímos ao longo da vida vão moldando a forma como sentimos, pensamos e atravessamos o mundo.

Amizade também é um lugar onde a gente aprende a existir com menos peso.

É no encontro com o outro que, muitas vezes, a gente se reconhece, se reorganiza e encontra um pouco de descanso.

Por isso, não é só sobre ter pessoas por perto, é sobre a qualidade desses encontros, sobre o quanto eles acolhem, sustentam e permitem que a gente seja quem é.

Os vínculos certos não nos diminuem. Eles nos sustentam.

Tem uma ideia muito repetida de que toda dor vem para ensinar, como se o sofrimento precisasse sempre justificar a própr...
27/03/2026

Tem uma ideia muito repetida de que toda dor vem para ensinar, como se o sofrimento precisasse sempre justificar a própria existência. Mas nem toda dor carrega uma lição clara, um propósito bonito ou uma transformação imediata. Às vezes, ela só atravessa. Silenciosa, confusa, sem respostas. E tudo bem reconhecer isso.

Nem tudo que dói precisa ser ressignificado. Nem toda experiência difícil precisa virar aprendizado para ter valor. Há dores que pedem apenas tempo, cuidado e um pouco mais de gentileza consigo. Dores que não exigem força o tempo todo, nem pressa para “superar”.

Respeitar isso também é uma forma de se acolher.

Esse trecho é do livro A Hipótese do Amor, da Ali Hazelwood — e foi apresentado a mim por uma pessoa muito querida. Quis...
25/03/2026

Esse trecho é do livro A Hipótese do Amor, da Ali Hazelwood — e foi apresentado a mim por uma pessoa muito querida. Quis escrever algo sobre ele porque carrega uma provocação poderosa.

Ele escancara algo que a gente vê todos os dias, mas nem sempre nomeia: a confiança não é distribuída de forma igual. Enquanto muitos homens, mesmo medianos, caminham com uma segurança quase inquestionável, mulheres, muitas vezes extremamente competentes, ainda duvidam de si, se cobram mais e hesitam mais.

Não é sobre capacidade. É sobre construção social, oportunidades e o quanto fomos ensinadas (ou não) a confiar em nós mesmas.

Existe uma narrativa social silenciosa, e, ao mesmo tempo, extremamente presente, que associa a identidade feminina à ma...
21/03/2026

Existe uma narrativa social silenciosa, e, ao mesmo tempo, extremamente presente, que associa a identidade feminina à maternidade como se fosse um destino inevitável. Como se a realização de uma mulher estivesse condicionada a esse único caminho. Como se houvesse algo de faltante quando esse roteiro não é seguido.

Mas essa ideia não é natural: ela é construída, reforçada e reproduzida ao longo do tempo.
Quando a maternidade deixa de ser uma possibilidade e passa a ser uma exigência simbólica, o que se perde é justamente aquilo que sustenta qualquer experiência humana saudável: a autonomia. Reduzir mulheres a uma única forma de existir é desconsiderar a complexidade, os desejos, os projetos e as subjetividades que compõem cada trajetória.

Existem muitas formas de viver, de se realizar e de construir sentido na vida. E nenhuma delas deveria ser hierarquizada a partir de expectativas sociais.

Reconhecer isso não é desvalorizar a maternidade, é, na verdade, devolvê-la ao lugar que deveria ocupar: o de escolha, e não de obrigação.

Aquilo que mais inquieta no outro raramente nasce nele. Insiste, na verdade, como algo que o sujeito não suporta reconhe...
17/03/2026

Aquilo que mais inquieta no outro raramente nasce nele. Insiste, na verdade, como algo que o sujeito não suporta reconhecer como próprio.

Ao fixar o olhar no outro, o sujeito evita o confronto com sua própria divisão, com aquilo que lhe escapa e que não se deixa dominar. Há, aí, uma economia psíquica: é menos angustiante interpretar, julgar ou vigiar o outro do que sustentar perguntas sobre si mesmo.

Mas essa operação tem um custo. Quando o outro vira palco constante de projeções, o sujeito se afasta da possibilidade de se implicar na própria existência. Nesse sentido, pode-se falar de uma posição de recuo — até mesmo de certa covardia psíquica — não como falha moral, mas como estratégia de evitação diante do que é difícil de suportar: o encontro com a própria falta, com o próprio desejo e com a responsabilidade de se haver com eles.

Os dados sobre feminicídio no Brasil não são “opiniões”. Não são exageros. Não são narrativas ideológicas. São números. ...
09/03/2026

Os dados sobre feminicídio no Brasil não são “opiniões”. Não são exageros. Não são narrativas ideológicas. São números. São corpos. São vidas interrompidas.

O Brasil segue entre os países que mais matam mulheres no mundo. E, ainda assim, toda vez que denunciamos essa violência estrutural, surge o mesmo coro defensivo: “Mas nem todo homem é assim”. Esse discurso não protege mulheres. Protege reputações.

Enquanto alguns homens estão preocupados em se descolar do problema, mulheres estão preocupadas em não morrer. Estão calculando rotas, evitando certos horários, compartilhando localização em tempo real, fingindo ligações, segurando chaves entre os dedos, aprendendo desde cedo a ter medo.

Não estamos discutindo caráter individual. Estamos falando de cultura. De um modelo de masculinidade que ensina posse, controle e silêncio emocional, e que, quando confrontado, prefere se defender a se responsabilizar. Dizer “nem todo homem” toda vez que uma mulher é assassinada é deslocar o foco. É recentrar a conversa em quem não está em risco. É transformar uma denúncia coletiva em um incômodo pessoal.

Enquanto vocês discutem reputação, nós discutimos estatística de morte. Enquanto vocês pedem que não generalizemos, nós contamos quantas não voltaram para casa. Enquanto vocês se sentem ofendidos, nós enterramos amigas.

O debate não é sobre exceções. É sobre estruturas. E estruturas só mudam quando quem não é vítima decide não ser cúmplice pelo silêncio.

Não queremos que você diga que não é assim.
Queremos que você confronte quem é.
Queremos que você rompa com o pacto de proteção entre homens.
Queremos que você se incomode — não com a denúncia, mas com a violência.

Os dados sobre feminicídio no Brasil não são “opiniões”. Não são exageros. Não são narrativas ideológicas. São números. ...
03/03/2026

Os dados sobre feminicídio no Brasil não são “opiniões”. Não são exageros. Não são narrativas ideológicas. São números. São corpos. São vidas interrompidas.

O Brasil segue entre os países que mais matam mulheres no mundo. E, ainda assim, toda vez que denunciamos essa violência estrutural, surge o mesmo coro defensivo: “Mas nem todo homem é assim”. Esse discurso não protege mulheres. Protege reputações.

Enquanto alguns homens estão preocupados em se descolar do problema, mulheres estão preocupadas em não morrer. Estão calculando rotas, evitando certos horários, compartilhando localização em tempo real, fingindo ligações, segurando chaves entre os dedos, aprendendo desde cedo a ter medo.

Não estamos discutindo caráter individual. Estamos falando de cultura. De um modelo de masculinidade que ensina posse, controle e silêncio emocional, e que, quando confrontado, prefere se defender a se responsabilizar. Dizer “nem todo homem” toda vez que uma mulher é assassinada é deslocar o foco. É recentrar a conversa em quem não está em risco. É transformar uma denúncia coletiva em um incômodo pessoal.

Enquanto vocês discutem reputação, nós discutimos estatística de morte. Enquanto vocês pedem que não generalizemos, nós contamos quantas não voltaram para casa. Enquanto vocês se sentem ofendidos, nós enterramos amigas.

O debate não é sobre exceções. É sobre estruturas. E estruturas só mudam quando quem não é vítima decide não ser cúmplice pelo silêncio.

Não queremos que você diga que não é assim.
Queremos que você confronte quem é.
Queremos que você rompa com o pacto de proteção entre homens.
Queremos que você se incomode — não com a denúncia, mas com a violência.

Como diz a querida : "nem todo homem. Mas SEMPRE um homem.".

Quando o discurso é de paz, mas as bombas continuam caindo, não estamos diante de contradição, estamos diante de estraté...
02/03/2026

Quando o discurso é de paz, mas as bombas continuam caindo, não estamos diante de contradição, estamos diante de estratégia.

Os Estados Unidos construíram, ao longo do século XX e XXI, uma narrativa de guardião global. A retórica é conhecida: defesa da democracia, proteção da liberdade, combate ao mal. Mas, na prática, essa posição frequentemente se traduz em intervenções, sanções, ocupações e guerras que custam vidas, quase sempre longe do próprio território norte-americano.

O problema não é apenas geopolítico. É simbólico. Existe uma arrogância embutida na ideia de que uma nação pode se autoproclamar árbitra moral do planeta.

No caso de lideranças como Donald Trump, essa lógica ganha contornos ainda mais explícitos: discurso nacionalista, simplificação de conflitos complexos e uma retórica que transforma tensão internacional em demonstração de força. A política externa vira palco.

E a história mostra algo inquietante: momentos de crise interna frequentemente caminham ao lado de escaladas externas. Quando escândalos, investigações ou pressões domésticas ganham força, o foco pode ser deslocado para ameaças internacionais, inimigos externos e demonstrações militares. Não é teoria conspiratória, é uma dinâmica conhecida da política de poder.

A história mostra que crises externas frequentemente reorganizam o cenário interno. Basta observar como, repetidamente, o inimigo de fora surge no exato momento em que as pressões de dentro aumentam.

Respeitar seus próprios limites exige coragem. Porque significa correr o risco de desagradar, frustrar e até perder. Mas...
24/02/2026

Respeitar seus próprios limites exige coragem. Porque significa correr o risco de desagradar, frustrar e até perder. Mas o preço de não fazer isso é sempre maior: você perde a si mesma.

Se tudo é negociável para manter alguém, então você já está se perdendo.

E há uma verdade incômoda: muitas vezes não é o outro que ultrapassa. É você que não sustenta o que disse que era inegociável.

Limites claros não afastam afeto.
Eles afastam invasão.

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Ribeirão Das Neves, MG
33820170

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