07/03/2023
No dia 21 de novembro de 1910 Virginia nascia na capital paulista. Sua mãe, a imigrante italiana Giovanna Leone, seu pai, um homem negro chamado Theófilo Julio Bicudo.
Em 1930, Virgínia formou-se na Escola Normal da Capital, que hoje leva o nome de Escola Caetano de Campos. Continuou seus estudos na Escola de Higiene e Saúde Pública do Estado de São Paulo, onde formou-se como educadora sanitária em 1932. Já nessa época, Virgínia atuava como visitadora psiquiátrica atuando na prevenção de problemas psíquicos de crianças, e Educadora Sanitária. Aos 25 anos, Virginia matriculou-se no curso de Ciências Políticas e Sociais da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo (ELSP), tornando-se a única mulher em sua turma de oito alunos.
Em 1936, a austríaca Adelheid Koch, membro da Sociedade Psicanalítica de Berlim, refugiou-se no Brasil em decorrência da Segunda Guerra Mundial, e em 1937, Virgínia Leone torna-se a primeira mulher analisanda da doutora.
As questões sobre o racismo, a abordagem social e os estudos sobre a psicanálise continuaram acompanhando a trajetória profissional de Virgínia Leone Bicudo. Em 1944 ela integrou o grupo de fundadores do Grupo Psicanalítico de São Paulo, hoje Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Em 1951, o IPA (Associação Psicanalítica Internacional) reconheceu a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo como uma de suas componentes durante o XVII Congresso Internacional, em Amsterdã.
Ainda assim, sua contribuição para a psicanálise no Brasil é pouco lembrada: sua tese de mestrado, por exemplo, só foi publicada 65 anos depois de ter sido escrita, e tanto a Sociedade Brasileira de Psicanálise quanto a Fundação Escola de Sociologia Política só a homenagearam em 2010, no centenário de seu nascimento.
A data precisa de sua morte, aliás, nem sequer foi registrada, mas sabemos que faleceu em 2003, aos 93 anos, na cidade de São Paulo, deixando uma vasta contribuição aos estudos sobre racismo e psicanálise no Brasil.