22/05/2025
O lobby político judaico nos Estados Unidos, especialmente em torno da causa sionista e da defesa de Israel, é um dos mais influentes e organizados do século XX até hoje. Seu poder não se deve apenas à quantidade de dinheiro ou influência direta, mas à capacidade de mobilização estratégica, de formar alianças institucionais e de moldar a narrativa pública sobre o Oriente Médio, o Holocausto e a política externa americana.
As quatro grandes frentes do lobby pró-Israel nos EUA são: institucional, diplomático, cultural e militar.
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1. Lobby institucional: organizações e influência no Congresso
a) AIPAC (American Israel Public Affairs Committee)
• Fundada formalmente em 1951, mas com raízes desde a década de 1940.
• Atua como principal elo entre o Congresso dos EUA e o governo de Israel.
• Organiza visitas, financiamentos de campanha, reuniões privadas, e mobiliza eleitores judeus (e cristãos sionistas) para pressionar senadores e deputados.
b) Outros grupos
• ZOA (Zionist Organization of America) – mais ideológica, atua desde o século XIX.
• ADL (Anti-Defamation League) – combate o antissemitismo, mas também atua na defesa de Israel.
• J Street – mais recente e moderado, defende uma solução de dois Estados.
Mecanismos usados:
• Redação e promoção de projetos de lei pró-Israel.
• Mobilização de doadores para campanhas eleitorais.
• Pressão direta em audiências parlamentares e comitês de política externa.
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2. Lobby diplomático: reconhecimento e financiamento de Israel
a) Reconhecimento de Israel (1948)
• O presidente Truman reconheceu o Estado de Israel 11 minutos após sua criação, influenciado por:
• Pressão de conselheiros judeus próximos (como Eddie Jacobson),
• Mobilização de eleitores nos estados do nordeste,
• Lobby intenso da comunidade judaica para superar a resistência do Departamento de Estado e do Pentágono, que preferiam uma solução internacionalizada.
b) Ajuda militar e econômica
• O lobby pressionou continuamente por ajuda financeira e armamentista a Israel — especialmente após 1967.
• Hoje, Israel recebe cerca de US$ 3,8 bilhões anuais em ajuda dos EUA, a maior parte em forma de assistência militar.
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3. Lobby cultural e midiático: construção de legitimidade simbólica
a) Narrativa do Holocausto
• A partir dos anos 1960–70, filmes, livros, museus e políticas educacionais consolidaram a memória do Holocausto como um elemento central da identidade ocidental.
• Isso gerou simpatia e legitimação contínua para a existência de Israel, inclusive como refúgio pós-genocídio.
b) Hollywood, imprensa e intelectuais
• Muitos produtores, diretores, escritores e jornalistas judeus participaram da criação de narrativas sobre:
• O heroísmo de Israel (Exodus, 1960),
• A injustiça da perseguição judaica,
• A demonização dos inimigos árabes (especialmente após 1972, com o atentado em Munique).
• Isso moldou a opinião pública americana de forma duradoura.
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4. Lobby estratégico-militar: Israel como aliado dos EUA na Guerra Fria e além
• O lobby sionista ajudou a reposicionar Israel como ativo estratégico durante a Guerra Fria:
• Espionagem soviética no Oriente Médio,
• Guerra do Yom Kippur (1973),
• Cooperação tecnológica e militar.
• Desde então, o Congresso americano vota quase automaticamente a favor de medidas que:
• Apoiem Israel militarmente,
• Reforcem sanções contra seus inimigos (Irã, Hezbollah, Hamas),
• Bloqueiem resoluções críticas a Israel na ONU.
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O lobby judaico nos EUA combina poder institucional, cultural e simbólico.
*Vale lembrar: nem todos os judeus nos EUA apoiam a linha dura do AIPAC. Há judeus progressistas, antissionistas e críticos de Israel — como o grupo Jewish Voice for Peace — que denunciam o uso do lobby em favor de políticas de ocupação.