05/07/2025
Depois de muita insistência da minha esposa, resolvi compartilhar uma parte sensível da minha história. É algo que ainda me incomoda, mas acredito que pode servir de exemplo — mostrar até onde a gente pode ir, e onde precisa mudar.
Sempre fui muito magro. Daquele tipo que, por estar dentro do peso, se acomoda. Já que cabia nas roupas, não havia motivo pra se preocupar, certo? E o tempo foi passando. Nunca fui fã de esporte. Na infância, enquanto os meninos jogavam futebol, eu era o que ficava de fora. Atividade física nunca fez parte da minha rotina.
Na faculdade de medicina, continuei magro. Mas aí veio a vida adulta: plantões, jornadas exaustivas, noites sem dormir e refeições no improviso. Lá pelos 25, 26 anos, comecei a ganhar peso. Depois veio a residência — 80 horas de trabalho por semana. Nenhum exercício. Alimentação desregulada. E o corpo começou a cobrar.
Tenho 1,90m e esse ganho de peso virou um fardo. Meus joelhos, quadril, coluna… tudo sentiu. Na minha especialidade, uso constante de capote de chumbo. Isso também pesava. Cheguei a 119kg. E com essa altura, o impacto nem sempre é visível — até que a conta chega.
A minha veio com uma hérnia de disco extrusa. Dor incapacitante. Comprometimento motor. Precisei operar. O cirurgião disse: “Posso aliviar agora. Mas a cura está nos seus hábitos. Você precisa mudar. Ganhar força. Estrutura.”
Foi um baque. O susto me empurrou pra mudança. Usei uma medicação pra emagrecer. Perdi quase 20kg. Mas a que custo?
Numa viagem com trilhas, tive uma crise de fadiga muscular. Porque junto com o peso, perdi também massa. Não tinha estrutura pra sustentar aquele novo corpo.
Foi aí que entendi: não é só sobre emagrecer. É sobre fortalecer. Recomeçar.
Há três anos entrei num programa regular de treino. E hoje, com 50 anos, posso dizer: me sinto melhor do que aos 30. Sinto falta de me movimentar. Isso virou parte de mim.
Se tenho um arrependimento, é só um: não ter começado antes.
A Viviane — minha esposa — sabia que essa história podia inspirar. E hoje entendo: não é só sobre mim. É sobre o que é possível, mesmo depois dos 40, dos 50. É sobre nunca desistir do nosso melhor.