16/04/2026
Na prática clínica, ainda é comum que pacientes estranhem a solicitação de exames laboratoriais pelo psiquiatra, como se o cuidado em saúde mental estivesse dissociado do funcionamento orgânico. Essa percepção, no entanto, não se sustenta à luz do conhecimento atual.
A Psiquiatria contemporânea é, essencialmente, uma especialidade médica. Alterações metabólicas, inflamatórias e nutricionais exercem impacto direto sobre o funcionamento cerebral, modulando neurotransmissores, neuroplasticidade e até a resposta ao tratamento psicofarmacológico.
Nesse contexto, a dosagem de homocisteína ganha relevância. Trata-se de um marcador associado ao metabolismo do ciclo do metilfolato. Níveis elevados de homocisteína têm sido correlacionados a maior risco de depressão, declínio cognitivo, sintomas ansiosos e pior resposta terapêutica em alguns pacientes.
Além disso, a hiper-homocisteinemia está relacionada a disfunção endotelial e aumento do risco cardiovascular, o que reforça a importância de uma abordagem global, particularmente em pacientes que já apresentam fatores de risco ou fazem uso prolongado de psicofármacos.
Portanto, ao solicitar esse exame, o psiquiatra não está extrapolando sua área de atuação, mas sim exercendo uma medicina baseada em evidências, que reconhece a interface entre cérebro e corpo. Identificar e corrigir alterações como a elevação da homocisteína pode ser um componente importante na otimização do tratamento psiquiátrico e na promoção de saúde integral.