16/01/2026
Essa semana, atendi uma paciente que chegou ao consultório dizendo: “Eu não sei mais o que está acontecendo com o meu corpo.”
Ela falava de um cansaço que não passava. De noites mal dormidas. Uma mente acelerada. Imunidade baixa... De sintomas que iam surgindo, um atrás do outro.
Os exames estavam normais. Todos! Mesmo assim, o corpo dela falhava... e falava.
Na consulta, eu disse para ela: “bom… então vamos começar do começo. Vamos tentar entender quando tudo começou a surgir... Me conta a sua história.”
E foi nesse momento que ela travou. Fazia anos que ela só resolvia as coisas. Dava conta de tudo. Funcionava. Seguia em frente... mas, não percebia o que sentia. E, sentir sem perceber, também nos faz adoecer.
O que estava adoecendo essa paciente não aparecia em exame nenhum. Estava na história dela. No corpo que guardou demais. Na ausência de pausa. Na desconexão de si mesma.
Ela fazia de tudo para manter o corpo funcionando. Tomava suplementos. Comia “direito”.
Fazia check-ups. Tentava controlar. E, ainda assim, continuava adoecendo.
Naquele momento, lembrei dessa frase: “não é o estresse que adoece, é a desconexão com nós mesmas.”
Quando anestesiamos a dor, o corpo não descansa. Ele congela. Um corpo em guerra cria um mecanismo de sobrevivência. Ele f**a o tempo todo em alerta. Ele sabe que consegue dar conta de tudo. Mas não sabe sentir.
E quando isso acontece, abrimos espaço para que a doença apareça. Essa desconexão geralmente não vai aparecer nos exames, porque é vem de uma história de vida... No corpo que guardou tanta coisa. Na ausência de pausa. Na desconexão de si mesma.
Esse post é sobre o tipo de trauma que molda o corpo antes das palavras. E quando o corpo é moldado assim, nem sempre suplementos, exames ou protocolos serão suficientes.
Se você sente que já tentou de tudo e nada muda, talvez esteja na hora de tentar uma nova abordagem. Uma que integre o começo, o meio e o agora. Que escute o corpo a partir do que ele carrega, das memórias que ele guarda, do que nunca pôde ser sentido. E que foque nisso: na segurança interna.