16/02/2026
Ontem eu estava segurando uma lata de Pepsi.
Nada profundo. Nada filosófico. Só eu, um refrigerante e um dia de folia sem crianças. Mas aí eu lembrei de uma coisa.
Você já foi ao restaurante, pediu Coca-Cola, e o garçom respondeu:
— Coca não temos, pode ser Pepsi?
E você aceita.
Não era a primeira opção.
Mas resolve.
E foi aí que eu pensei na maternidade.
Porque, na vida do bebê, a mãe é a Coca-Cola.
É o padrão ouro.
É o cheiro certo.
É o colo que regula.
É a voz que acalma antes mesmo da palavra terminar.
A mãe é o sistema nervoso externo da criança.
Neurocompatibilidade pura.
Mas o pai…
Ah, o pai é a Pepsi.
E antes que você me cancele, calma (risos).
A Pepsi é maravilhosa. Funciona. Nutre. Diverte. Dá conta.
Só que, quando a Coca aparece…
o bebê lembra qual é a referência principal.
E aí acontece aquela cena clássica:
— Ele estava bem até você chegar…
Estava mesmo.
Porque, quando a mãe não está, o bebê se organiza com o que tem. Ele aceita a Pepsi. Ele ri, br**ca, se distrai.
Mas quando vê a Coca… ele quer a Coca.
Não é sobre rejeitar o pai.
É sobre apego.
A teoria do apego explica isso de forma linda: o bebê busca a figura de maior segurança para descarregar emoções acumuladas. E, na maioria das vezes, essa figura é a mãe.
Sabe aquele choro que “surge do nada” quando você entra no ambiente?
Não surgiu do nada.
Ele estava guardado.
Você é porto seguro.
E porto seguro é onde a gente desaba.
Isso cansa? Cansa.
Às vezes dá vontade de ser Pepsi.
De ser a opção leve, divertida, alternativa.
Mas existe um privilégio invisível nisso tudo.
Você é a referência.
Você é a base segura.
Você é o lugar onde ele pode ser pequeno.
E, ironicamente…
é porque ele confia tanto em você que ele desregula em você.
Então, da próxima vez que alguém disser:
— Nossa, ele estava ótimo até você chegar…
Você pode sorrir por dentro e pensar:
Claro.
A Coca chegou. 🥤💛
E tudo bem.
Porque, no fim das contas, não é sobre preferência.
É sobre vínculo.
E vínculo não se disputa.
Se constrói.
E, às vezes… vem em lata.