23/11/2021
Assunto importante, pouco discutido dentro do processo de recuperação.
Lembre-se sempre que é você a principal pessoa que deve acreditar na sua recuperação.
Recuperação e Recaída
Muita gente pensa que a recuperação é apenas uma questão de não usar dr**as. Consideram a
recaída um sinal de fracasso completo e os longos períodos de abstinência um sucesso total. Nós
do programa de recuperação de Narcóticos Anônimos achamos essa idéia demasiado simplista.
Depois de um membro ter tido algum envolvimento com nossa Irmandade, uma recaída pode ser
uma experiência impressionante e provocar uma aplicação mais rigorosa do programa. Da mesma
forma observamos alguns membros que se mantêm abstinentes durante longos períodos, mas cuja
desonestidade e auto‐engano os impedem de desfrutar completamente a recuperação e a aceitação
na sociedade. A melhor base para o crescimento, no entanto, ainda é a completa e contínua
abstinência, o trabalho conjunto e a identificação com outros adictos nas reuniões de NA.
Embora todos os adictos sejam basicamente do mesmo tipo, o grau da doença e o ritmo da
recuperação diferem de indivíduo para indivíduo. Às vezes uma recaída pode estabelecer a base
para uma completa liberdade. Outras vezes só é possível alcançar essa liberdade através de uma
vontade inflexível e obstinada de ficar limpo, aconteça o que acontecer, até passar a crise. Um
adicto que por qualquer meio consegue superar pelo menos por um tempo a necessidade ou o
desejo de usar dr**as, tem livre escolha sobre seus pensamentos impulsivos e ações compulsivas.
Atingiu um ponto que pode ser decisivo para a sua recuperação. Às vezes esse é o ponto crítico
da sensação de verdadeira independência e liberdade. A possibilidade de sairmos do programa e
de voltarmos a controlar nossas próprias vidas é algo que nos atrai, mas parece que sabemos que
o que temos hoje é resultado da fé num Poder Superior a nós mesmos e do fato de darmos e
recebermos ajuda por empatia. Muitas vezes em nossa recuperação os velhos fantasmas ainda
nos perseguem. A vida pode voltar a ser monótona, aborrecida e sem sentido. Podemos nos
cansar mentalmente de repetir nossas novas idéias, e podemos nos cansar fisicamente com
nossas novas atividades, mas sabemos que se não as repetirmos certamente voltaremos aos
nossos velhos hábitos. Se não praticarmos o que aprendemos provavelmente perderemos.
Freqüentemente essas ocasiões são os períodos de maior crescimento para nós. Nossas mentes e
corpos parecem cansados de tudo. Mesmo assim, as forças dinâmicas da mudança, bem dentro
de nós, podem estar agindo para nos dar as respostas que alteram nossas motivações internas e
mudam nossas vidas.
A nossa meta é a recuperação através da vivência dos Doze Passos, não a mera abstinência
física. Nosso crescimento exige esforço, e como não há maneira de se incutir uma idéia nova
numa mente fechada, tem que haver uma abertura. Como só nós mesmos podemos fazer isso,
precisamos reconhecer dois dos nossos inimigos inerentes: a apatia e a procrastinação. Nossa
resistência à mudança parece arraigada e somente uma explosão nuclear provocará alguma
mudança, ou iniciará um novo curso de ação. Se sobrevivermos a ela, a recaída poderá
representar o detonador do processo de demolição. Uma recaída, ou às vezes a morte de algum
conhecido, pode nos despertar a necessidade de uma vigorosa ação pessoal.