25/08/2020
Você tem se sentido sozinho?
E foi assim... Como num leve suspiro, em menos de segundos, percebi que estava sozinho. Mas, antes que eu desse conta, algo tão intenso e barulhento passou por mim. Hoje, sei o nome desse barulho, por incrível e paradoxal que pareça, seu nome é SILÊNCIO. É impressionante como algo tão ameno, reconfortante e acolhedor pode fazer um barulho insuportável quando não se sabe “dialogar” com ele.Sozinhos, temos que “dialogar” com a ausência sem que ela seja a falta. Na falta, eu não me basto, sentindo falta não sei quem sou sem aquilo que me faz falta. O silêncio, entre tantas outras coisas, é um pouco mais de mim, é o carinho na solidão, é um abraço em si mesmo. Além do mais, nunca estamos sozinhos quando aprendemos a estar com nós mesmos, até porque, estar em meio a multidão não necessariamente significa não estar só, apenas significa que existem pessoas ao seu redor, e vá lá saber se todas elas também não bicam na mesma água da solidão e, por isso, vão todas se sentir sozinhas juntas. Estar sozinho é uma arte, se soubermos “dialogar” com a solidão e ouvir o sussurro do silêncio, não o grito. Existem milhares de coisas que não seriam possíveis se não ficássemos sós. Estamos tão cheios de “não solidão” (refiro-me à solidão do recuar e ouvir o silêncio), que deixamos de ser originais e autênticos, usando e se apropriando das falácias, dos arquétipos e blá blá blás dos outros e, assim, vamos nos distanciando do mais lindo, do mais próprio, do mais íntimo palco onde cenas próprias e originais poderiam ser o cerne de uma inimaginável história.
Procure ajuda!
Ricardo Palazetti - Psicólogo Clínico.