alinemux Psicanalista & Sexóloga

O paradoxo do espelho.Com a Internet, o espelho que antes era fixo, se tornou moldável (plástico)armazenável (pode ter d...
22/11/2025

O paradoxo do espelho.

Com a Internet, o espelho que antes era fixo,
se tornou moldável (plástico)
armazenável (pode ter dono)
reproduzível (pode durar no tempo)
acessível (na palma da mão)
E, sobretudo, naturalizado.

Naturalizou-se uma experiência que é paradoxal: sou eu e não sou eu na imagem.

A grande questão, como bem colocou Machado de Assis em 1882 em seu conto O espelho, é que o espelho guarda um perigo.

A alma que produz o reflexo, pode se apaixonar pelo que é refletido, e com isto perder-se de si mesma.

A crítica sobre a metafisica feita pelo escritor visionário, é mais atual do que nunca.

O sofrimento que eu e meus colegas psicanalistas escutamos na clínica é muito real.

E ele tem levado pessoas a tentar apagar, ou mais grave ainda, a aniquiliar todo o rastro do eu real em nome do eu do espelho.

Aqueles que já nasceram na era virtual são os mais vulneráveis, pois para eles a separação entre espelho e coisa, foi diluida pelas mídias, quando imagens manipuladas são publicadas como reais, legitimadas como retrato puro da realidade.

A questão piora na medida em que o sujeito não tem nenhum domínio sobre estas imagens, quando elas são utilizadas por outros sem que exista qualquer tipo de controle - exposta aos delírios e todo o tipo de violência alheia.

Essa naturalização de um acontecimento que é paradoxal na psiquê humana, diminui o espaço de simbolização, como se imagem e pessoa fossem idênticos.

Me recordo de um desabafo da Britney Spears sobre o ressentimento que ela tem dos paparazzis, que segundo ela, se esforçam por conseguir capturar os seus piores ângulos para vender a foto por um valor maior.

No caso da cantora, me arrisco a dizer que, boa parte do seu sofrimento mental foi agravado pela confusão de imagens e de sua identidade.

A parte interessante, é que a virtualidade nos permite brincar com a arte, com o onírico, com o impossível - brincadeiras sempre perigosas mas que sem dúvida nos permitem ver por outros ângulos - algo que um espelho comum não permite. Por exemplo, pensei nesse texto depois que vi as fotos acima, não sei se sem elas eu teria alcançado esta percepção...Será?

aos delírios e desejos

18/11/2025
18/11/2025

🤩

O conto-de-fadas moderno: acreditar em mais outros tantos novos acordos econômicos que  remodelam a paisagem das celas e...
16/11/2025

O conto-de-fadas moderno: acreditar em mais outros tantos novos acordos econômicos que remodelam a paisagem das celas e as formas de escravidão.

O parentesco sanguíneo foi usado para manter propriedades sob formas de herança.

A herança, não é só dinheiro; poucos lembram a face oculta da herança, que transmite também a responsabilidade pelos atos insidiosos cometidos para acumular capital.


Do livro da incendiária

O sagrado é o que pode ser dado, sem esperar retorno;é imanência que escapa à ordem mercadológica regida pela obrigação ...
14/11/2025

O sagrado é o que pode ser dado, sem esperar retorno;
é imanência que escapa à ordem mercadológica regida pela obrigação de precificação das trocas.
Em nossa pequena existência mortal permeada por fragilidades,
Algo raro, por isso sagrado.

A solidão musical de um millennial:- ter um repertório musical afetivo que é  majoritariamente composto de pop americano...
07/11/2025

A solidão musical de um millennial:

- ter um repertório musical afetivo que é majoritariamente composto de pop americano que era basicamente o que tocava na rádio;
- gostar de tocar violão, pq não existia caixinha de som e por isso todo mundo sabia tocar pra animar os roles;
- sentir o estranho vazio de não ter um objeto do nosso artista favorito, como um vinil ou um k7 ou qualquer coisa que simbolize a compra e a posse de um pedaço de nosso amor platônico;
- passar pela desconstrução cultural de estereótipos colonizadores e opressores repensando o quão bizarro eram muitas letras de músicas que cantávamos sem entender. E mesmo assim continuar gostando daquelas músicas mas tendo vergonha de cantar em público.

Esqueci de alguma coisa?

Na lógica masculinista da sociedade patriarcal, a violência é e deve manter-se "privada" -entre homens que em geral são ...
04/11/2025

Na lógica masculinista da sociedade patriarcal, a violência é e deve manter-se "privada" -entre homens que em geral são facilmente corrompidos para tornarem-se cúmplices.

O crime, para eles, é tornar sua violência pública.

É arranhar a superfície envernizada de sua fé em si mesmo, de sua suposta supremacia.

Nada dói mais do que ter exposta a sua maldade íntima. Mas não dói porque há consciência sobre o sofrimento causado nos outros, dói por colocar em risco a sua imagem pública.

114 pessoas (ao menos) foram deliberadamente executadas como resultado de um teatro performado pelo poder do estado e pe...
29/10/2025

114 pessoas (ao menos) foram deliberadamente executadas como resultado de um teatro performado pelo poder do estado e pelo poder das milícias- que convergem cada vez mais para tornarem-se um só, se já não o são.

O poder precisa demonstrar sua força pela carnificina pública. O poder, precisa de subalternos. O poder, precisa de alienados que nada sabem do jogo em que estão sendo jogados. O poder precisa de pessoas que odeiem política. O poder precisa de pessoas exaustas. O poder precisa de pessoas deprimidas. O poder precisa de pessoas que tomem medicamentos que aliviam sua ansiedade. O poder precisa de pessoas que se endividem com consumos de tralhas inúteis. O poder precisa que as pessoas assistam conteúdos estupidos para que se distraiam. O poder seduz o oprimido para que se torne um vigilante e denunciante do outro oprimido. O poder faz o opressor totalmente dependente de seu poder - ele não pode cair porque ele sabe que sua dívida é impagável.

Adiar o encontro com o incêndio não livra ninguém de cedo ou tarde, sofrer com a queimadura.
19/10/2025

Adiar o encontro com o incêndio não livra ninguém de cedo ou tarde, sofrer com a queimadura.


A cena que se repeteA sina que reapareceAté que...Algo muda.
15/10/2025

A cena que se repete
A sina que reaparece

Até que...
Algo muda.

Saber-se cego sobre algo de si mesmo, inicialmente pode ser uma fonte de angústia; contudo tal cegueira não é uma conden...
10/10/2025

Saber-se cego sobre algo de si mesmo, inicialmente pode ser uma fonte de angústia; contudo tal cegueira não é uma condenação nem uma deficiência, mas uma limitação que em primeiro lugar existiu para proteger-nos de algo cabuloso.

O esquecimento é um mecanismo de proteção para o excesso, que contudo com o tempo pode se tornar desnecessário e até, danoso.

Como a casca de um machucado que não se descola, mas que acaba juntando poeira, sujeira, até que ela se torna um novo problema.

Felizmente, há um antídoto pra a cegueira: os olhos do outro.

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