Clínica Dra Patrícia Varella

Clínica Dra Patrícia Varella Clínica de Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana Assistida.

15/05/2026
14/05/2026

Saiu agora no The Lancet uma publicação histórica propondo oficialmente a mudança do nome da SOP — Síndrome dos Ovários Policísticos.

E isso não foi uma decisão isolada.

O consenso envolveu:
• mais de 14 mil participantes
• pacientes e profissionais de saúde
• 56 organizações internacionais
• especialistas de vários continentes.

A proposta é que a SOP passe a se chamar:

PMOS — Síndrome Ovariana Metabólica Poli-endócrina.

E por que isso importa?

Porque há anos sabemos que a “SOP” vai muito além de ovários com múltiplos folículos.

Muitas pacientes nem têm o clássico aspecto policístico ao ultrassom.

E, ao mesmo tempo, podem apresentar:
resistência insulínica, alterações metabólicas, ganho de peso, infertilidade, acne, aumento de pelos, inflamação, ansiedade, depressão e maior risco cardiovascular.

Ou seja:
o nome antigo acabava reduzindo uma síndrome complexa a um achado ovariano.

O novo termo tenta refletir melhor a fisiopatologia real da doença:
uma condição hormonal, metabólica e sistêmica.

Os critérios diagnósticos não mudam por enquanto.
Mas a forma de enxergar a síndrome está mudando no mundo inteiro.

E isso é importante porque muda:
• diagnóstico
• consciência metabólica
• pesquisa
• políticas de saúde
• e principalmente a forma como acolhemos e tratamos essas mulheres.

A medicina evolui.
E os nomes também precisam evoluir com ela.




05/05/2026
Hoje é o Dia Mundial dos Hormônios — e falar de hormônios é falar de saúde feminina em praticamente todas as fases da vi...
25/04/2026

Hoje é o Dia Mundial dos Hormônios — e falar de hormônios é falar de saúde feminina em praticamente todas as fases da vida.

Grande parte das condições ginecológicas são, de alguma forma, hormônio-dependentes: miomas, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, alterações ovulatórias, infertilidade, perimenopausa, menopausa e até a obesidade feminina — temas sobre os quais tenho sentido cada vez mais necessidade de falar.

Os hormônios não influenciam apenas o ciclo menstrual.
Eles impactam metabolismo, sono, humor, libido, composição corporal, saúde cardiovascular, energia, cognição e qualidade de vida.

E talvez nenhuma fase represente tão bem essa instabilidade quanto a perimenopausa.

Uma verdadeira montanha-russa hormonal.

Oscilações intensas de estradiol, progesterona, FSH e LH acontecem de forma imprevisível e muitas mulheres passam a sentir que “não estão mais se reconhecendo”.

E isso não é exagero.
É fisiologia.

O que costuma acontecer nessa fase?

✨ ciclos menstruais irregulares e ovulações imprevisíveis
⚖️ maior dificuldade no controle do peso e mudança da composição corporal
🌙 alterações do sono e despertares frequentes
🧠 oscilação de humor, irritabilidade, ansiedade e sensação de exaustão
🔥 ondas de calor e sintomas vasomotores
❤️ aumento progressivo do risco cardiovascular e metabólico
🌸 impacto importante sobre libido e desejo sexual
❓ dúvidas frequentes entre queda de libido e transtorno do desejo sexual hipoativo

O diagnóstico da perimenopausa é, acima de tudo, clínico — e muitas vezes negligenciado justamente porque os sintomas costumam ser confundidos com “estresse”, “rotina puxada” ou simplesmente “idade”.

Não é frescura.
Não é falta de força.
E não precisa ser assim.

A boa notícia é que existe reposição hormonal, estratégia e acompanhamento adequado.

Neste Dia Mundial dos Hormônios, meu convite é simples:
olhe para sua saúde hormonal com mais atenção, mais informação e menos culpa.

Porque entender seus hormônios também é uma forma de autocuidado.

E medicina de verdade começa com escuta, ciência e individualização.

Cada vez mais recebo pacientes que buscam na medicina soluções para problemas que não são estritamente médicos. Por exem...
23/04/2026

Cada vez mais recebo pacientes que buscam na medicina soluções para problemas que não são estritamente médicos. Por exemplo: dormem 5 horas por noite, trabalham em excesso em frente a um computador, e querem encontrar algum “problema hormonal” para explicar porque estão exaustos, ou algum remédio para “devolver a energia”. Outros, sem qualquer excesso de peso, querem atingir um peso mais baixo, e mantê-lo facilmente – e embora novos medicamentos de fato permitam perdas grandes, nem sempre será esse “peso ideal” sonhado, e muito menos que ele será mantido posteriormente. Outros querem que seus filhos cheguem a uma certa altura, mesmo que fora do canal familiar; outros querem mais massa muscular, em alguns casos incompatível com o fenótipo e rotina.

👉 Nesse sentido, vejo que esse mito que a medicina pode oferecer todas as respostas leva a proliferação de maus profissionais que oferecem respostas (mesmo que erradas) a todos esses problemas, aumentando o risco de condutas inadequadas, algumas até que podem dar sensação de bem estar a curto prazo, mas que levarão a outras consequências lá na frente.

👉 Há questões que não devem ser respondidas com medicamentos ou com diagnósticos, mas sim com uma clara percepção que somos imperfeitos, que estilo de vida importa e por mais que a medicina esteja avançando, muitas vezes “menos é mais”. Investigar queixas não é o problema; o problema é acreditar (e ser convencido pelas mídias e pseudociencia de alguns profissionais) que toda queixa física terá uma resposta com medicamentos.




26/02/2026

A biópsia genética pré-implantacional (PGT-A) é um tema importante — e polêmico — na reprodução assistida.

Ela pode, sim, encurtar o caminho até um embrião euploide.
Mas não é um procedimento inócuo.

Estamos falando da retirada de 5 a 6 células do trofoectoderma do blastocisto. Mesmo em laboratórios altamente capacitados, trata-se de um procedimento humano, sujeito a limitações técnicas.

E há dados consistentes mostrando que cerca de 5–10% dos embriões classificados como aneuploides podem, na verdade, ser normais (falsos positivos).

Por isso, a pergunta não é:
“Por que não biopsiar todos?”

A pergunta correta é:
“Em quais casos há real benefício?”

Na minha prática, a indicação costuma ser mais clara a partir dos 37–38 anos, quando o risco de aneuploidias aumenta.
Em mulheres jovens, com blastocistos de boa qualidade e sem histórico genético familiar, a decisão precisa ser muito bem ponderada.

Medicina reprodutiva não é protocolo automático.
É individualização, ciência e responsabilidade.

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