13/01/2021
Esses dias assisti a um filme que me trouxe diversas reflexões. O filme em questão se chama Vestido Ma***to (a história segue a vida de um vestido “amaldiçoado” que traz consequências terríveis para quem o consome). Uma obra que foge bastante da realidade em termos de estilo, chegando a ser meio “trash” e esquisitão, mas que vem como um nocaute em relação ao consumo exacerbado e a ilusão criada pela propaganda, além de lançar uma crítica ferrenha em relação a exploração dos trabalhadores da indústria têxtil.
A questão que f**a é: até que ponto as pessoas compram os produtos por questões de necessidade ou pela ideia que eles representam, no sentido da propaganda, das soluções milagrosas que eles podem trazer. As marcas vendem “desejos”.
Recentemente uma loja de roupas postou que vestir-se daquela determinada marca era um ato político. Como que consumir um produto - que não era barato para variar - pode ser um ato político? Ainda mais num país onde a desigualdade social é gritante e tantos mal têm o que vestir?
Isto me faz lembrar de um trecho de um poema do Carlos Drummond de Andrade - Eu, Etiqueta:
“ desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.”
- Imagem do filme: Vestido Ma***to