27/07/2025
“É preciso sempre lembrar que feminino em termos psicológicos não é igual a mulher, tampouco masculino é igual a homem. Quando ouvimos a lamentável retórica dos jovens misóginos da internet, devemos lidar com um
paradoxo peculiar, pois sociologicamente eles estão se referindo a mulheres concretas e históricas com as quais se relacionam, mas sabemos psicologicamente que o homem aprende algo sobre a sua anima pela sua reação ao s**o oposto; mas podemos inverter tranquilamente essa lógica, pela reação de um homem ao s**o oposto podemos aprender algo sobre a sua anima. O que vemos nesses casos é uma relação deplorável com a própria
alma, sabemos que a questão que a anima coloca ao homem é “o que ele realmente sente?”. E em todos os casos elencados eles se fecham à compaixão e aos seus próprios sentimentos.
[…] Esse fracasso provavelmente implica essa fraqueza do eu, esse temor do próprio inconsciente, que no homem é o eterno feminino e que obviamente é projetado na mulher. Fundamentalmente, temos nesses homens tanto uma fraqueza constitucional, quanto uma incapacidade para a compaixão que leva a esse tipo de super compensação de cunho puramente intelectual, apesar de se tratar de um pensamento redutivo, estéril e esterilizante, em que um saber especial reprime o sentir.
[…] O nosso desafio é sermos capazes de criar novas formas de expressar a masculinidade e a feminilidade, novas formas de nos relacionar.
[…] Precisamos, na verdade, de algo que ainda não existe, mas para o qual temos a potência imorredoura daquilo que é perene no humano. Não sou profeta, não tenho essa resposta, o máximo que posso fazer é procurar o sentido psicológico de tudo isso e, individualmente, procurar um sentido para a minha própria vida e lidar com o eros em mim, o que já é uma tarefa desmedida, mas imprescindível.”
Heráclito Pinheiro
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