17/09/2019
Cronologia do Autismo
(Como vem evoluindo desde a sua descoberta)
1908 – Bleuler usa a palavra autismo para descrever o comportamento de um paciente esquizofrênico.
1943 – O psiquiatra Leo Kanner publica a obra Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo no qual descreve o comportamento de 11 crianças que ele denominou como autistas e fala em autismo infantil precoce.
1944 – O psiquiatra Hans Asperger escreve o artigo A Psicopatia
Autista na Infância, publicado em Alemão e, por isso, somente reconhecido na década de 1980. O autismo descrito foi denominado como Síndrome de Asperger.
1952 – Publicada a primeira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais que traz características autísticas como sintomas de esquizofrenia infantil.
1960 – A explicação psicanalítica ganha força. Surgem
teorias como a apelidada de “mãe-geladeira”, que fez com que muitas mulheres, mães de autistas, se sentissem culpadas por seus filhos serem autistas. Surgem as primeiras associações de pais de autistas.
1965 – Temple Grandin cria a máquina do abraço, um aparelho que ela mesma usa para se acalmar.
1975 – Lançadas as bases do Modelo Social de Deficiência com a publicação de Fundamental Principles of Disability (Princípios fundamentais da deficiência – em tradução livre) que coloca que é a sociedade que desabilita as pessoas com deficiência física e traz a diferença entre lesão e deficiência. Sendo a deficiência algo imposto sobre a lesão por conta do funcionamento social não adaptado.
1980 – Inclusão do autismo no DSM-III no grupo dos transtornos abrangentes do desenvolvimento, deixando de ser considerado um subgrupo das psicoses infantis.
1981 – Lorna Wing cunha o termo Síndrome de Asperger, em referência à pesquisa de Hans Asperger. A mesma pesquisadora já havia, na década de 1970, colocado o conceito de autismo como um espectro. Também fundou a NAS – National Autistic Society junto com Judith Gold e fundou o Centro Lorna Wing. Seu trabalho teve influência no mundo inteiro.
1988 – Lovaas, psicólogo americano, baseado no conceito de QI (Quoeficiente de Inteligência), coloca a terapia comportamental (ABA) como um tratamento ef**az para autistas, determinando 40 horas semanais de terapia intensiva para normalização de comportamentos. É lançado o filme Rain Man.
Década de 1990 – O surgimento da internet impulsiona o já latente movimento de auto advocacia em que autistas defendem seus pontos de vistas sobre a própria condição. Temple Grandin e Donna Williams são as mais conhecidas. Organizações de pais que buscam a cura para o autismo também aumentam, fazendo da ABA a terapia mais adotada por esse grupo. Os conflitos entre os dois grupos se acirram e continuam intensos nos tempos atuais.
1992 – Autistas dos Estados Unidos e da Austrália criam a
Autism Network International (ANI) que, apesar de contar com a participação de não autistas, tem como princípio que as decisões sejam tomadas apenas por autistas. Seu lema “por autistas para autistas” é acompanhado do “nada sobre nós sem nós” originado nos estudos da deficiência (década de 1960).
1994 – Inclusão da Síndrome de Asperger como um diagnóstico no DSM-IV.
1995 – É fundada a Cure Autism Now, focada em pesquisa biomédica para a cura e prevenção do autismo. Organização duramente criticada pelas organizações de autistas anti-cura e pró-neuro-diversidade.
1999 – A socióloga Judy Singer, ativista pelos direitos das pessoas
autistas, cunha o termo Neuro-diversidade que aponta o surgimento do movimento como fortemente influenciado pelo feminismo que deu maior liberdade e confiança às mães para se livrarem da culpa a elas imputada pelo modelo psicanalítico, pela internet que facilitou as trocas sem mediação dos médicos e pelo crescimento dos movimentos políticos de pessoas com deficiência, de autodefesa, de auto advocacia, destacando-se o movimento de surdos, influenciando a busca pelo reconhecimento de uma identidade autista.
Anos 2000 – Começa-se a falar em cultura autista, tratando-se dos interesses peculiares que ligam autistas tais como stims, determinados objetos, tipos de filmes, habilidades e talentos, todos de expressão típicos de pessoas autistas. Surgem blogs, chats, fóruns, grupos de discussão em que autistas se expressam de acordo com sua identidade autística.
Fala-se em orgulho autista, com o dia 18 de junho sendo reservado para a promoção desse orgulho.
Anos 2010 – Os movimentos de auto advocacia começam a influenciar autistas brasileiros que já vinham construindo um ativismo próprio.
O ativismo de pessoas autista começa a ganhar corpo no Brasil com o aumento da disponibilidade de informações e acesso à internet, seja individual ou coletivamente, iniciam-se ações de conscientização voltadas à identidade e respeito às diferenças. Assim como em outros países, os
conflitos entre ativistas pró neuro-diversidade e pró-cura são intensos.
Apesar das semelhanças com o ativismo construído nos Estados Unidos, nota-se que o ativismo no Brasil tem uma identidade própria estreitamente ligada às demandas e ao contexto locais.
2019 – CID11 une Autista e Asperger num único diagnóstico