19/04/2020
A guerra não é contra o vírus. O vírus é só a arma.
O país já enfrentou várias epidemias e sendo médico há 41 anos, atuei e continuo no combate a elas.
Portanto temos que ter serenidade, agrupar as autoridades competentes sobre o assunto e determinar competências, inclusive e principalmente para a sociedade. A política é a arte do que fazer. A estratégia é de como fazer. O que fazer?
1. Ajudar populações vulneráveis
2. Distribuição de vacinas
3. Medicação antiviral
4. Distanciamento social e pessoal.
1. Antivirais
* Ainda não possuímos antivirais comprovados nem tratamento definido. Temos que promover as pesquisas. Todas as propostas embasadas cientificamente devem ser toleradas e acompanhadas para , quando comprovadas , serem aplicadas.
* Fornecer equipamentos, kits diagnósticos, medicamentos e materiais necessários para tratar os casos definidos e suas complicações, incluindo aqui equipamentos de proteção aos profissionais de saúde.
* Determinar condutas de diagnóstico e atendimento aos profissionais de saúde.
* Assim que tivermos um antiviral eficaz, para cada grupo de 150.000 pessoas, deveremos ter em estoque, contínuo:
10 mil para Ada grupo distribuídos em sequência da seguinte forma:
- primeiro aos doentes
- aos mais vulneráveis
- aos mais pobres
- por ultimo, aleatoriamente
2. Vacinas não dispomos.
Aonde podemos atuar e como?
3. Ajudar os vulneráveis
- fechamento de escolas e mudança de comportamento da população reduzem em 87% a taxa de ataque e reduz a perda de renda em 82%.Além de reduzir o tamanho da epidemia e além de reduzir a taxa de ataque nas crianças de 0,84 para 0,07, também protege os idosos de 0,66 cai para 0,18.
4. Comportamento pessoal.
É a maior contribuição para reduzir o tamanho da epidemia e reduz a perda de renda.
Métodos de distanciamento ou intervenção pessoal:
- evitar algomerações em eventos, festas, cultos, parques, recreação, shopping.
- eliminar deslocamentos desnecessários.
- evitar contato pessoal com cumprimentos, beijos e abraços
- disseminar orientações.
- A classe produtiva mantém atividade. Pessoas saudáveis da classe produtiva continuam com as atividades mantendo os cuidados com apoio dos dos gestores:
- distribuição, orientação ao uso de máscaras, álcool gel, água sanitária, métodos de higiene pessoal.
- Distanciamento de pelo menos 2 metros.
- Escalonamento de entrada e saída no trabalho e durante a alimentação e repouso.
Isto é uma situação de guerra, os trabalhadores de todos os níveis não devem sofrer intervenção pública e serão considerados os mais vulneráveis.
Qual é o gatilho que o gestor deve utilizar para intervenção sobre os produtivos?
Quando o número de notificações ultrapassar 1% da população total infectada.
Esse limite pressupõe diariamente três ações:
- vigilância
- monitorização
- nofificação
Portanto, essas informações colhidas do passado recente devem servir de bússola para tomada de decisão. Sem ignorar que a arma atual que nos atinge possui características peculiares.
O Brasil não pode e não deve parar.
Dr. Ronaldo Fontes
Epidemias. volume 3: 19-31, 2011.