24/03/2026
Gravado há um ano.
Como algumas pessoas se tratam com e sem amor-próprio.
Sem amor próprio, eu me perco na necessidade de culpar alguém, ou alguma circunstância, como se a vida sempre estivesse em dívida comigo.
Com amor próprio, eu me ocupo em abastecer o que há de mais essencial dentro de mim, minha dignidade, minha integridade, minha autenticidade, minha paz, aquilo que não depende do mundo, porém, sustenta a minha forma de estar nele.
Sem amor próprio, acredito que a alegria vem de fora, de conquistas, de presentes, de reconhecimentos passageiros.
Com amor próprio, ser alegre é uma decisão resiliente, firmada na determinação lúcida e sóbria de vencer a mim mesmo todos os dias, pois eu deixo de ser refém do acaso para me tornar responsável pelo que cultivo dentro de mim.
Sem amor próprio, eu me vitimizo quando não sou aceito.
Com amor próprio, eu amadureço, pois compreendo que a rejeição, muitas vezes, é apenas um convite à minha própria reforma íntima.
Sem amor próprio, eu espero que os outros me amem.
Com amor próprio, eu me amo, me aceito e me reconheço como um ser em constante transformação, não para provar valor, mas para honrar aquilo que posso me tornar.
Sem amor próprio, eu vivo na instabilidade das casualidades, ora me punindo, ora me beneficiando, perdido entre extremos que não compreendo.
Com amor próprio, eu saio dessa loteria emocional, pois encontro direção, consciência e responsabilidade sobre mim mesmo.
E é nesse lugar que algo maior se revela, não como imposição, mas como presença silenciosa.
No sigilo, eu me encontro.
Na calma, eu me escuto.
Na paciência, eu me conecto.
E assim, sem precisar tocar, eu sinto.
Sem precisar ver, eu compreendo.
Sem amor próprio, eu vivo à mercê das influências, das conveniências, das aceitações externas.
Com amor próprio, eu vivo com lucidez, guiado pela sensibilidade, pela generosidade, pela empatia e pela consciência de quem já entendeu que a vida não começa fora, ela sempre começa dentro.
Edson Rosa. 🌹