08/01/2026
A dança delicada do amor duradouro.
Em meus anos como escritor e observador da alma humana, aprendi que o amor verdadeiro não é um turbilhão de emoções, mas uma sinfonia cuidadosamente construída. As métricas atuais dos relacionamentos, muitas vezes submetidas ao crivo supérfluo do olhar alheio, confundem amor com euforia, ansiedade e carência , como fogos de artifício ou palha seca no deserto: intenso, porém efêmero.
Um relacionamento duradouro exige mais. Muito mais.
Ele se ancora na cordialidade: no sorriso que aquece, na presença silenciosa nos dias difíceis, na renúncia que também é forma de amar. Nesse solo fértil germina a amizade, cresce o respeito e se consolida a cumplicidade que transforma o parceiro no melhor confidente. Dali nasce a confiança, a certeza de que o outro estará lá, aconteça o que acontecer.
Estará no abraço que cura, na mão estendida nos momentos de aflição.
A autossuperação fortalece o indivíduo; a autossuficiência dá ao amor espaço para respirar entre duas almas que se admiram e se aperfeiçoam no convívio. A paciência acalma as tempestades, e a calma se torna porto seguro em meio ao caos.
E o amor, ah, o amor a dois, é o despertar para uma vida partilhada, que soma, dignifica e liberta. Um amar que protege, acolhe e desperta em nós o melhor que podemos ser.
Edson Rosa 🌹