05/05/2022
Em várias regiões da África Bantu, existe uma divindade que eles denominam como Kianda, essa divindade é considerada por eles uma divindade aquática, não tendo a distinção de água salgada ou água doce, ela reina onde existe água (Rios ou Lagos ou Mares).
As Kianda se apresentam como um ser metade peixe e metade mulher, assim como nos contos infantis da Disney, onde tem a pequena Ariel, só que a representação de KIANDA É PRETA (🙌🏾).⠀
Embora no Brasil tenha se consolidado as divindades Samba, Kayala, Kisimbi, etc como as divindades regentes da energia das águas, em solo Bantu, mais especificamente em Angola nenhuma dessas divindades é mais conhecida do que as Kiandas. Talvez com uma análise mais criteriosa poderíamos até chegar a conclusão que as divindades aqui cultuadas seriam "tipos" de Kiandas.
Assim como tem acontecido em solo brasileiro, em solo africano (neste caso específico falamos de Angola) existe um forte movimento de embranquecimento cultural, onde cada vez mais os angolanos abrem mão da suas culturas regionais.
Mesmo com esse processo de apagamento cultural, até hoje o culto às Kiandas se mantêm vivo por lá. Todos os anos no mês de Novembro ocorre uma festividade nas praias daquele país.
O interessante de todo esse processo é que mesmo tendo um culto e crença tão forte e vivo nos tempos atuais, esta divindade sequer algum dia foi cogitada ser louvada por aqui ou mesmo mencionada (a não ser pelos candomblecistas de livros).
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Em Angola existem diversos contos sobre as Kiandas, em um deles conta-se:
As construções de certa aldeia estavam desmoronando, sem nenhum motivo aparente. Depois de muito investigar e não encontrar uma justificativa, os moradores chamaram um Soba, o mesmo ao consultar seu sistema oracular identificou que o motivo pelo qual as construções estavam desabando era obra das Kiandas, que insatisfeitas com uma não reverência daquele povoado. Por esse motivo estavam sugando toda água existente na alvenaria das construções.
Bença a quem for de direito!
Tata Kasulembê