24/07/2024
Hoje eu gosto de quem sou. Me orgulho de mim. Não foi sempre assim.
Na minha infância me sentia insegura, inadequada rejeitada, sempre colocada de lado.
Uma vontade enorme de pertencer de fazer parte, porém nunca me sentia pertencente.
Tinha uma enorme sede de liberdade, medo de conflitos, busca pela perfeição, e esses aspectos não se harmonizam entre si.
Um vazio que nunca soube explicar me acompanhou quase a vida toda.
A vontade de ser aceita me levava a querer ser “boa”, agradar, tentar ser perfeita. Eu gosto de ser boa (hoje sei a diferença entre boa e boba), ser perfeita não foi um sucesso, mesmo porque ninguém é.
Agradar... Num determinado ponto da minha vida me senti tão pressionada... percebi que não dá pra agradar todo mundo, mesmo por que isso me desagradava enormemente.
E se os outros não se agradavam de mim isso era com eles, não comigo, porque o outro é espelho.
Essa foi a chave principal da minha mudança. Conversei comigo mesma, faço isso às vezes... Decidi ser quem eu queria ser. Para isso fiz uma lista. Uma lista de qualidades que eu gostaria de desenvolver, porque a maioria delas eu não possuía ou estavam adormecidas dentro de mim.
Comecei o processo. Isso incluía desagradar, enfrentar conflitos, falar o que eu sentia. Devo confessar que no início isso não foi nada agradável. Me sentia ansiosa, tinha taquicardia e um medo que não sabia explicar de quê. Mas segui firme no meu objetivo. Cuidei dos meus aspectos mental, emocional, psicológico, espiritual, físico.
Nada foi instantâneo, óbvio. Parei de assumir responsabilidades que não me cabiam, de querer ajudar quem não queria ajuda (ainda faço às vezes...rs), comecei a cuidar de mim, parar de esperar dos outros o que eu mesma posso me dar.
Adultos podem cuidar de si mesmos, percebi que havia me tornado adulta.
Entendi que os outros tem o direito de não gostar de mim, não desejar minha companhia, não concordar com minhas ideias, e tudo bem. Isso acontece comigo em relação aos outros e tudo bem também.
Tudo isso pra dizer que se hoje me orgulho de quem sou é porque ser como sou hoje, é fruto de muito trabalho comigo mesma, um trabalho difícil, muitas catarses, inúmeras visitas ao fundo do poço, e principalmente, persistência, disciplina e dedicação.
Estar sorrindo, feliz, rodeada de amigos (adorooooo!), tem um custo: nunca me abandonar. Os outros podem se afastar de mim, eu não.
Ah... o vazio. O vazio era de mim mesma.
Mônica Turolla