30/06/2025
▪️”É importante destacar que o ingresso da mulher no mercado de trabalho assalariado não ocorreu de forma simples. Em verdade, a sua entrada no âmbito do trabalho produtivo foi sempre acompanhada de preconceito, desvalorização e desigualdade. O que nos faz lembrar Mézaros (2002), em seu livro Para além do Capital:”(…) a estrutura do capital sempre foi - e para sempre será - totalmente incompatível com a ideia de conceder a qualquer pessoa igualdade substantiva(…)”. E continua dizendo: “(…) elas devem ser excluídas do verdadeiro poder de decisão por causa do papel decisivo na reprodução da família, que terá com os imperativos absolutos e dos ditames autoritários do capital”. E ainda, segundo o autor, devido a família ocupar”uma posição de importância essencial na reprodução do próprio sistema do capital(…)”
▪️”A naturalização histórica de que o lugar da mulher é no espaço de reprodução como cuidadora. Segundo essa premissa, o capital se apropria dessa naturalização do lugar feminino e incorpora a mulher trabalhadora intensamente precarizada. Ou seja, em geral, com essa divisão sócio-sexual do trabalho, as mulheres acabam por se inserir nos trabalhos mais precários e mais mal remunerados. Embora que já existam mulheres inseridas em cargos de direção, chefia, estás entretanto, em sua maioria, recebem uma remuneração menor do que a dos homens.”
Fonte: Trabalho, gênero e saúde mental. Contribuições para a profissionalização do trabalho feminino./ Raquel Gouveia Passos.