31/10/2019
Na penumbra silenciosa desta sala, habita algo que não se vê: o espaço do entre.
Entre uma fala e outra.
Entre um olhar e um silêncio.
Entre o que se sabe e o que ainda dói sem nome.
Essa é minha sala de atendimento psicanalítico.
Um lugar onde o tempo desacelera,
onde as camadas do vivido se desdobram sem pressa,
onde cada objeto carrega a memória de tantas presenças.
As almofadas escutam lágrimas contidas.
A mesa, repleta de anotações, testemunha reencontros internos.
E as cortinas… ah, as cortinas balançam de leve, como quem acolhe o que não se pode dizer de imediato.
Neste espaço, tantos se permitem desmoronar um pouco, para, depois, se reconstruírem com mais verdade.
Porque a psicanálise não oferece atalhos.
Ela oferece escuta.
E escutar, de verdade, é oferecer morada.