01/06/2025
“Já pensei em desistir.”
E não foi uma ou duas vezes.
Empreender na área da psicologia é um caminho bonito, mas também extremamente desafiador. Quando abri a clínica, imaginei que as maiores dificuldades seriam burocracias ou a captação de pacientes. Mas a verdade é que o que mais machuca nem sempre está nas exigências do CNPJ — está nas relações humanas.
Já passaram por aqui pessoas que se aproximaram com discursos lindos e intenções questionáveis. Profissionais que estavam mais interessados em se beneficiar do espaço do que em construir algo em conjunto. Já vivi decepções, traições, promessas não cumpridas e, o pior, ingratidão de quem estendi a mão com coração aberto.
Enquanto isso, muita gente de fora ainda acha que ter uma clínica é só “postar no Instagram” que os pacientes aparecem. Ignoram os bastidores: os boletos vencendo, a ansiedade em manter a agenda rodando, a responsabilidade de cuidar de vidas sem deixar que a nossa entre em colapso.
Não é só sobre fazer marketing.
É sobre manter ética, acolhimento, organização, liderança, escuta, coragem… tudo ao mesmo tempo.
É carregar o peso de decisões difíceis, de afastar quem não soma, de seguir firme mesmo quando emocionalmente não se está bem.
E mesmo assim… continuo.
Porque entre tantas dores, também vieram encontros valiosos. Pacientes que floresceram aqui dentro. Profissionais sérios e parceiros. Histórias de transformação. Reconhecimento silencioso, mas sincero.
Se você também tem uma clínica, talvez se identifique com tudo isso.
Se ainda sonha com a sua, que essa reflexão sirva de alerta — e também de força.
A clínica não é só uma porta aberta: é um espaço de vida, com tudo que ela carrega.
E apesar das quedas, sigo firme.
Porque a psicologia merece.
E porque eu sei o propósito que me trouxe até aqui. 💛