12/11/2021
Outro dia levei meu filho (8 anos) na natação e me atrasei um pouco para buscá-lo. Quando cheguei, ele já estava no vestiário a meio caminho andado da função de se secar, se trocar, etc. Quando estávamos saindo ele virou pra mim e disse: "Hoje me senti muito responsável, pq você não tava lá quando eu saí da aula e tive que me trocar sozinho." Sorri e perguntei: "E isso foi bom ou ruim?". E ele, muito sério respondeu: "Foi bom. Eu gosto de ter responsabilidade."
Tirando o aspecto fofo e engraçado (quem conhece a pessoa sabe o quanto falas corriqueiras se transformam em verdadeiras piadas saindo da sua boca, rs), aquela constatação ficou ressoando em mim desde então.
Não sei se ele falava de responsabilidade mesmo, ou se o que o excitou foi o sentimento de autonomia e liberdade. Se bem que, no fim das contas, isso tem tudo a ver mesmo com responsabilidade. Não dá pra ser livre sem ser responsável. Para além de ser uma questão sobre criação de filhos, o que me pegou foi o fato dele ser um menino/homem e a relação disso com esse grande maquinário que nos rege chamado machismo. Explico -me: há pouco compartilhei um post que tratava disso, do quanto a naturalização da ideia de que a mulher amadurece antes que os homens oprime as primeiras e limita os últimos. É como se a mulher carregasse o gene do cuidadorismo e ao homem faltasse até mesmo um aparato biológico que lhe garantisse a própria sobrevivência. A quem interessa essa nossa "síndrome de cuidadora"?
"Por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher."
Vocês já pararam pra pensar nesse dizer popular? É tão perverso que por muito tempo nos fez acreditar que era um elogio ao feminino. E assumimos isso, contribuindo no cotidianos dos nossos relacionamentos masculino-feminino com não apenas o apagamento da mulher, mas com sua exploração.
Sim, exploração. Somos exploradas nos cuidados com a casa, na criação dos filhos, no trabalho (quando temos que fazer mais que um homem pra provar nossa competência). (Continua nos comentários)