05/12/2025
Lélia Gonzalez explica como o português falado no Brasil, que ela chama de pretuguês, foi profundamente marcado pela presença e pela ação das mulheres negras.
No seio da família colonial, a mulher negra, na função de “mãe-preta”, teve papel central no processo de socialização linguística das crianças brancas, influenciando a fala, com um vocabulário recheado de frases e expressões oriundas de línguas africanas, como o kimbundu, mas também o comportamento, a alimentação e o imaginário da casa colonial.
Foi ela quem trouxe para o cotidiano do colonizador palavras, histórias e crenças do universo africano. Esses elementos aparecem em contos e cantigas de ninar, nos seres fantásticos (tutus, mandus, boi-da-cara-preta), nas expressões de carinho (dengo, xodó), e nas superstições (homem-do-saco, interdições alimentares).
Assim, o pretuguês nasce da convivência, da resistência e da criatividade negra, incorporando sons, ritmos e sentidos que transformaram a língua do colonizador em algo profundamente nosso.
Mukuiu?
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Referências:
A influência das línguas africanas no português brasileiro, Yeda Pessoa de Castro.
Gonzalez, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, Anpocs, São Paulo, p. 223-244, 1984.
🎥 Perfil do pensamento brasileiro: Lélia Gonzalez
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