07/05/2026
Quem ensinou mulheres a terem medo do próprio envelhecimento?
O medo de envelhecer não nasce simplesmente da vaidade.
Muitas mulheres têm medo de envelhecer porque vivem em uma sociedade que associa valor feminino à juventude.
Uma sociedade que cobra pele sem marcas, corpo sem sinais do tempo, rosto sem idade e até características corporais que remetem ao infantil.
Não é coincidência que exista uma padronização estética constante para que mulheres pareçam cada vez mais jovens. A valorização excessiva da “novinha”, da aparência inocente e da ausência de pelos que também fazem parte do corpo adulto feminino produz uma ideia de fisionomia quase adolescente.
Existe algo profundamente violento nisso.
Porque o corpo feminino passa a ser pressionado a apagar marcas de maturidade para continuar sendo considerado um corpo desejável.
Enquanto isso, o envelhecimento masculino costuma ser associado à experiência, poder e charme. Já muitas mulheres são levadas a sentir que o tempo ameaça diretamente seu valor social e afetivo.
Isso não é natural. É estrutural.
Na psicanálise, entendemos que a forma como o sujeito olha para si também é atravessada pelo olhar social. E a forma como mulheres aprendem a olhar para o próprio corpo não acontece fora desses discursos sociais e machistas.
O problema é que, quando a feminilidade passa a ser associada à “eterna juventude”, o envelhecimento deixa de ser vivido como parte da existência e passa a ser sentido quase como uma perda de lugar.
Perda de desejo, perda de visibilidade, perda de valor.
E talvez uma das coisas mais cruéis seja justamente isso: fazer mulheres acreditarem que precisam parecer cada vez menos mulheres adultas para continuarem sendo desejadas ou vista como bonitas.
Há uma violência psíquica em ensinar mulheres a terem medo de qualquer traço que denuncie o próprio tempo.
E isso não signif**a condenar ou criticar procedimentos estéticos ou mulheres que escolhem realizá-los. Toda mulher deve ter liberdade sobre o próprio corpo.
Continua nos comentários…